sábado, 8 de junho de 2013

O aborto: Quando a lógica é ignorada em detrimento da ignorância

Depois de muito tempo sem postar nesse espaço senti vontade de compartilhar algo com vocês. Não que tenha tido alguma ideia mirabolante nos últimos dias, mas tive a oportunidade de conhecer dois importantes textos que traduzem perfeitamente a minha posição quando o assunto diz respeito à legalização do aborto. 

As ideias expostas, além de fazerem uso da responsabilidade e da lógica científica, permitem uma abordagem bastante consistente sobre o assunto. Tomo a liberdade de disponibilizar os referidos textos. Boa leitura!


Por tabela, tenha ainda a oportunidade de se ver livre das garras dos "sem argumentos", que ao invés de preferirem um debate sério partem para divulgação de imagens chocantes que só tem o intuito de aguçar o preconceito e a ignorância. Confira a foto de um verdadeiro aborto


sábado, 16 de março de 2013

A essência do ofício ...


Alguns acontecimentos comprovam a importância da função de professor. Na última quarta-feira tive uma dessas experiências que me valeram a semana. Estava a caminhar no centro da cidade quando ouço uma voz de longe demonstrando certa euforia. A voz grossa vinha em minha direção. Quando me dei conta um rapaz alto e sorridente se apresentava. Era um ex-aluno de quatro anos atrás que vinha me presentear com toda a sua satisfação em ter sido meu aluno. 

Da mesma forma, o ex-aluno havia deixado marcas no passado. Lembrava seu nome, suas características como aluno e como pessoa. Parecia que não havia transpassado todo aquele tempo. Em seus dizeres uma frase me chamou a atenção: Professor, eu não acredito, você é do tempo em que a geografia era boa! Na verdade, percebia em sua fala, que o prazer não se referia apenas a ciência em questão, mas pelo simples fato de termos transformado a relação professor x aluno em uma relação de amizade, nos dois anos que estivemos juntos em sala.

Como disse no início, essa ocasião me valeu o dia, a semana! Valeu na verdade a escolha feita há anos atrás quando decidi ser professor. Diante de tanta luta contra os desmandos de um governo supostamente honesto e competente, aquilo parecia ser o combustível necessário para continuarmos com os nossos ideais.

quarta-feira, 13 de março de 2013

A convicção da luta ...


Nos últimos meses involuntariamente abri mão do meu senso crítico em prol de uma causa. Pensei ser necessário abdicar das minhas convicções ideológicas no sentido de formar um ambiente coeso e em constante desenvolvimento. Como se isso fosse possível, passei a adotar a famosa política da boa vizinhança. Para tal, deixei de opinar e de buscar um debate sadio sobre assuntos tidos por muitos como sem importância, mas que cada vez se mostravam fundamentais para uma sociedade doente e mergulhada em uma moralidade perversa e preconceituosa.

Sendo cético, aprendi a ouvir e a conviver com pessoas envoltas a misticismos e sobrenaturalidades. Pessoas que costumeiramente se eximiam de suas responsabilidades para creditá-las a algo supostamente desconhecido nesse mundo. Essas práticas, pensava, tiravam o peso real da vida sobre essas pessoas e por isso não deveriam ser tratadas como algo danoso para o convívio social.

Contudo, os últimos acontecimentos envolvendo a Comissão dos Direitos Humanos mostraram mais uma vez que a suposta sobrenaturalidade pode ser usada para fins criminosos e danosos à diversidade da nossa sociedade. Tive contato com os pensamentos - se é que posso dizer assim - mais preconceituosos, rasos e ridículos que um ser humano pode manifestar. Conceitos baratos, retrógrados que remetiam aos obscuros anos da Idade Média. Confesso, fiquei assustado.

A luta pelo respeito à diversidade, pela isonomia dos cidadãos que compõem a nossa sociedade é algo primordial e impossível de se adiar. Como professor não posso abrir mão dessa batalha. Correndo o risco de abrir mão de possíveis "amizades", que venham a não entender essa política, continuarei a trabalhar pelo respeito às diferenças e pelo debate responsável contra o preconceito.

Precisamos definitivamente entrar no século XXI.




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Como acreditar em Cabral e Risolia?



O retorno dos professores e demais profissionais da educação do Estado do Rio de Janeiro foi mais uma vez recheado de surpresas. Os servidores desse Estado, acostumados com mudanças repentinas de políticas para o setor, receberam a informação de que não haveriam funcionários de apoio nas escolas. Começaríamos as aulas sem serviços essenciais como porteiro, inspetores de disciplina, merendeiras e profissionais de limpeza. 

Além do remanejamento dos profissionais concursados para escolas pólos em cada cidade, todos os contratados teriam cancelados os seus contratos de trabalho. A estas escolas desprovidas de apoio restaria a aguardada licitação para escolha da nova empresa a fornecer tais profissionais. 

Para qualquer cidadão minimamente comprometido fica claro o descaramento da atual gestão. Promover uma mudança drástica em um período extremamente delicado do ano letivo. Torna-se evidente que o atual governo visa apenas dados estatísticos e retorno financeiro, deixando para segundo plano a preocupação com a efetiva formação educacional dos discentes. 

No final, contamos com o cinismo de funcionários da secretaria em questão que insistem em dizer que finalmente o Estado do Rio de Janeiro possui uma política pública concreta para educação. Uma política pública que parece vislumbrar nitidamente o sucateamento da estrutura para a consequente privatização do setor.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O direito de ser preconceituoso



Não tomarei o tempo de vocês explicando a essência da notícia envolvendo a deputada Myriam Rios. Em vez disso, disponibilizarei o link da matéria para que tomem a devida ciência. A deputada em questão vem sendo conhecida, principalmente na internet, como defensora da moral e dos bons costumes em nossa sociedade. Como se qualquer pessoa minimamente esclarecida não percebesse que trata-se da defesa de uma moral especificamente católica.

O parágrafo anterior nos remete inevitavelmente a um simples questionamento: Existe apenas uma moral ou um conjunto de "bons" costumes no mundo? O que entendemos como certo ou errado não é único no mundo. Na verdade esse conjunto de conceitos são estabelecidos pela sociedade e variam, muitas vezes drasticamente, de região para região. O que nos soa estranho, pode ser normal em outra parte do mundo. Da mesma forma, o que nos é normal pode ser encarado com certo estranhamento por outros povos.

Comentei há pouco no facebook que sinto calafrios quando ouço o termo "moral e bons costumes". Remete-me há uma época em que ainda considerava um conjunto específico de conceitos e crenças, como um modelo correto a se seguir. Tudo aquilo que sobressaía a esse modelo era considerado como sujo e errado. Era necessário manter distância imediatamente zelando sempre pela preservação dos tais bons costumes. Fui, na juventude, um belo de um homofóbico e guardava comigo um profundo desprezo por todos aqueles que viessem a expor uma fé distinta a minha. Da mesma forma, mesmo que guardado no meu íntimo, cultivei uma ridícula separação entre brancos e negros,  sempre colocando esses em uma posição inferior aos demais.

A busca pelo conhecimento me fez mudar. E hoje, quando me deparo com atrocidades como as envolvendo a deputada Myriam Rios, não posso deixar de manifestar o meu repúdio. Discriminação é crime. E é inadmissível que seja permitido aos religiosos, munidos de seus dogmas arcaicos e preconceituosos, o direito à discriminação. 

O vídeo acima utiliza-se de termos um pouco ofensivos, mas são críticas totalmente válidas. Peço encarecidamente que não deixem de assistir.

domingo, 30 de dezembro de 2012

30 no dia 30 ...

Nós humanos levamos a vida, em maior ou menor escala, atrelada a datas, comemorações e simbolismos. Quem, por exemplo, nunca fez projeções de qual idade estaria em uma determinada data no futuro? Os "anos redondos" (quando fazemos 10, 20 ou 30 anos), são aqueles em que esses simbolismos são ainda mais fortes e que invariavelmente nos fazem pensar a vida com um pouco mais de atenção e calma.

Lembro-me como se fosse hoje: 30 de dezembro de 1992. Na época acabava de completar os meus 10 anos de idade. Sem saber muita coisa da vida, não que saiba muito mais agora, já imaginava como seriam os meus anos de adulto, se estaria casado, com filhos e qual seria a minha profissão. Brincava hipoteticamente a respeito do dia 30 de dezembro dos anos de 2002, 2012 e 2022. Era também um momento de expectativas já que os anos 2000 estavam por vir.

Hoje, nessa data tão especial para mim, fico imaginando o que aquele garotinho de 10 anos pensaria ao me ver agora. Sou pai de uma linda garotinha, marido de uma mulher fantástica e professor de uma das mais sensacionais ciências que existem. Se houvesse a possibilidade de me encontrar no passado diria sem pestanejar: Fica tranquilo moleque, você está no caminho certo!


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Encerrando 2012

O ano de 2012 foi o período em que estive mais ausente desse espaço. O blog, que nasceu em 2006 ainda na graduação, teve como objetivo destacar as mazelas sociais, principalmente aquelas que envolviam o meu cotidiano. 

No decorrer dos anos que se seguiram o devido destaque para as questões envolvendo o dia-a-dia em sala de aula. Críticas, reflexões e anseios foram expostos na busca por soluções ou meros desabafos. Recentemente, muita ênfase envolvendo a difusão do pensamento racional e do ceticismo como filosofias de vida. 

Diário virtual me parece ser a definição mais precisa do que vem a ser um blog. Nele expressamos tudo aquilo que vivemos naquele momento. Angústias, alegrias, revoltas e um emaranhado de sensações que nos acompanham no dia-a-dia.

Não sei qual será o destino desse espaço. Pensei em dar fim a empreitada como significado do fim de um ciclo. No entanto, percebi que junto das centenas de textos sem importância, muitas boas ideias foram expostas. O italogeo.com permanecerá no ar como um registro vivo dos últimos 7 anos de vida. E é certo que vez ou outra estarei aqui para algumas considerações. 

Um excelente 2013 a todos que por aqui passam.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Indignação ...

Eis que passando pelo viaduto da Prefeitura de Barra Mansa, me deparo com um acontecimento inusitado. O carona, do carro em frente, lança para fora um maço de cigarro já vazio. Simples assim! Como se a cidade pertencesse apenas a ela. 

Sinceramente, não tenho tido muita vontade de escrever por aqui. Não que minha inspiração tenha desaparecido, mas porque venho sentindo uma certa impotência diante de tudo o que está errado. É muita falta de educação, arrogância e hipocrisia. E na verdade tenho tentado diariamente, diante do espelho, verificar se não faço parte desse grupo da sociedade, que infelizmente vem parecendo ser a maioria.

Bate no peito uma angústia de pertencer a uma sociedade que privilegia tudo aquilo que é fútil, deixando de lado noções básicas de respeito e cidadania. Nessas horas, corre em minha mente os dizeres do saudoso Milton Santos que afirmava sabiamente que a classe média brasileira, diante de suas conquistas jamais lutava por direitos, mas por privilégios. 

Em tempos de Natal, nada mais apropriado. Na teoria, felicidade e amor para todos nessa data tão especial. Na prática uma sociedade perversa em busca de uma individualidade egoísta e cruel.

Sem mais ...

sábado, 17 de novembro de 2012

Um discurso coerente e racional



Importante consideração feita por Barack Obama no que diz respeito a separação entre religião e Estado. Não se deve governar uma sociedade plural e diversa segundo dogmas específicos. Não deixe de assistir.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Quando vamos pensar no coletivo? [O que há por trás da Copa e das Olimpíadas]

Nesse Brasil tão admirado por muitos é entristecedor constatar que nada é feito com a real intenção de ajudar os menos favorecidos. A implementação das UPP´s, na cidade do Rio de Janeiro, foram apresentadas pelos principais veículos de comunicação, como a investida do governo contra o crime organizado. Finalmente a oportunidade de acesso aos serviços mais básicos fornecidos pelo Estado, pela população carente de áreas estratégicas da cidade. Através do vídeo abaixo você irá perceber que tudo não passa de negócio. O vídeo é pequeno, pouco mais de 17 minutos. Não deixe de assistir, pois é obrigatório para o cidadão que realmente se importa com esse país.


A inércia do nosso povo reside na falta de percepção do que realmente ocorre a nossa volta. Como professor, fica evidente que o remédio para esse problema reside na educação. A partir desse ponto, facilmente contatamos que dificilmente sairemos desse estado de paralisia, uma vez que é justamente nessa educação que os governantes aplicam suas estratégias. Educação precária para manter o povo alienado. O que fazer?