O homem vem, há milhares de anos, evoluindo seu pensamento e desenvolvendo novas técnicas sempre tendo o intuito de facilitar o dia-a-dia e também ganhar um qualquer. Melhor dizendo, o intuito primordial nestes últimos séculos vem sendo o lucro acima de qualquer coisa.
Hoje possuímos recursos jamais imaginados no passado. Se levarmos em consideração os avanços nos últimos anos com relação à comunicação então, não há nem o que se contestar. No entanto, mesmo todos tendo o conhecimento é extremamente importante salientar que tudo que desenvolvemos é extraído da natureza. E o pior, se não bastasse o desmazelo total na extração de matérias primas necessárias a este desenvolvimento, temos hoje um emaranhado de coisas “descartáveis” que contribuem para degradar em níveis absurdos nosso meio ambiente.
Desde que a Cecília nasceu venho tentando buscar alternativas à convencional fralda descartável. Já não é de hoje que procuro pelas tão sonhadas fraldas descartáveis biodegradáveis, que ao invés de levar 500 anos para se degradar em abiente normal, como as convencionais, levam apenas 1 ano para o mesmo processo. Como nunca consegui encontrá-las em qualquer farmácia ou supermercado, resolvemos que passados mais algumas semanas passaríamos a utilizar as já conhecidas fraldas de pano. O interessante disto tudo foi que quando comentei que voltaria a utilizar as fraldas de pano, pelo menos durante o dia, meus amigos de classe, geógrafos por sinal, quase me fuzilaram em público. Frases como: “Que absurdo, passou-se o tempo de sofrer lavando fraldas”, “isso dá uma trabalheira danada”, “fraldas descartáveis são muito mais práticas”. Acusaram-me até de fazer isso para não gastar dinheiro, sem antes saber meus reais motivos.
Bom, justifiquei-me dizendo que o lema que sempre utilizo é o da coerência. Temos de ser coerentes com o que pregamos e o que fazemos. Se sou um professor de geografia, que detém conhecimento também na área ambiental e sabe como nosso meio ambiente passa por intenso desgaste, como continuar utilizando fraldas que levam 500 anos para se degradar, sem se preocupar com isso. Sem contar que um bebê usa uma média de 5 fraldas por dia.
Certa vez, procurando sobre o tema na internet, obtive a informação de que um bebê utilizando somente fraldas descartáveis até os 2 anos de idade, consome em média 4,4 árvores. Agora façam as contas, hoje em dia desde as pessoas mais carentes até as mais privilegiadas, utilizam em larga escala este produto. Meu Deus, o que será de nossas árvores??
Sempre fico pasmo com a hipocrisia das pessoas. E o pior ! Pessoas da área geográfica. Gente que adora fazer trabalho ambiental, sobre poluição e diversos tipos de degradação, mas na hora de refletir sobre os próprios atos, continuam a agir da mesma forma inconseqüente. É triste …
Mesmo assim, depois deste embate, resolvi entrar em contato com uma das empresas mais conceituadas no mercado. Perguntei se havia algum modelo de fralda biodegradável e onde eu as encontraria. A Procter, que distribui as fraldas Pumpers, não se preocupou nem mesmo em dizer “Ei otário, só você que está ligando pro planeta”.
Mas é assim mesmo, o negócio é lucrar. Ninguém está interessado para onde vão as sobras. O negócio mesmo é consumir e ter prazer instantâneo. Por isso, quando tenho meus acessos de fúria sempre digo que pelo menos a punição será aqui mesmo. Por um lado todos irão sofrer muito com o desgaste do planeta. Seria ótimo se eu pudesse dizer: “Bem feito ! Não quiseram consumir sem se preocupar com nada ? Agora toma !” Mas é claro que digo isto da boca para fora. Gostaria muito que essa mentalidade mudasse o quanto antes.
Por experiência própria, vejo como as pessoas sentem um prazer tremendo quando a coleta municipal de lixo passa e retira aquela “nojeira” da frente de casa. Claro, depois que a prefeitura pega, o problema do lixo já não é mais nosso, não é mesmo ? Pelo menos é assim que a maioria pensa.
Aqui em minha cidade todo o lixo coletado vai para um aterro sanitário que não tem o menor preparo para tal. Além de poluir o solo, todo chorume escoa para o leito de rios próximos. Alguém se preocupa ? Ou melhor, alguém realmente preocupa ? Porque por aí tem um monte que adora defender o meio ambiente. No entanto, quando o assunto é mudar os próprios hábitos, o discurso se altera drasticamente.
Bom, eu fico por aqui tentando fazer ao menos minha parte. Não é muito, mas estou de consciência tranqüila.
Um grande abraço a todos
Ítalo de Paula Pinto