sexta-feira, 27 de julho de 2007

Cinco títulos inesquecíveis …

Recebi a nobre incumbência do amigo Ery Roberto, autor do Infinito Positivo. Através dela tenho de falar sobre as cinco obras literárias que considero inesquecíveis em minha vida. Não sei se minhas obras serão atrativas para os demais, pois minha leitura sempre se restringiu a assuntos bastantes restritos à ciência que escolhi para lecionar. Entretanto, são temas que considero super essenciais para qualquer pessoa que queira estar por dentro do que se passa nos meandros da geopolítica internacional.

1 - Veias Abertas da América Latina - Eduardo Galeano

Muitos leigos no assunto sempre me perguntam porque boa parte dos estudiosos nas ciências ditas humanas, possuem uma certa ojeriza quando o tema refere-se aos países europeus e principalmente a atual potência mundial chamada Estados Unidos da América. Pois bem, através dessa obra tem-se uma visão geral das principais atrocidades cometidas em solo latino em nome do desenvolvimento econômico das potências européias e posteriormente dos “yankees”. Desde o início da colonização até os dias atuais Eduardo Galeano nos mostra como nosso continente foi e continua sendo massacrado pelos países que só se desenvolveram de tal forma devido ao roubo constante em nossas terras. Recomendo a todos aqueles que possuem certa tendência à idolatria pelos valores ocidentais ditados principalmente à moda “American Way Of Life”. Esta obra mudou significativamente meu modo de pensar e agir, mostrando que nem tudo é realmente o que aparenta ser.

2 - Oriente Médio e a Questão Palestina - Nelson Bacic Olic

Através de uma abordagem simples e direta o autor explica as principais características e toda complexa história da região palestina. Muito interessante para todos aqueles que desejam sair da abordagem superficial da mídia, sem cair no excesso de detalhes que dificultam o entendimento. Através dessa obra os principais detalhes do tema foram esclarecidos livrando-me de eventuais erros em minhas explanações.

3 - Notícias da América - Tocquevilleanas - Roberto DaMatta

Analisar o mesmo tema sob vários pontos de vista é o papel fundamental na vida de qualquer profissional relacionado às ciências humanas. Este brilhante antropólogo nos mostra com maestria algumas das principais características da sociedade norte-americana contrapondo-as à realidade contemporânea da sociedade brasileira. Boa pedida para aqueles que buscam uma visão dos Estados Unidos não tão crítica, mas também ausente de idolatrias ao modo de vida norte-americano.

4 - Mundo Sustentável - André Trigueiro

Em um mundo marcado pela possibilidade de escassez dos recursos naturais, ler esta obra configura-se em um ato de atenção e preocupação com os problemas iniciados no passado e com conseqüentes acontecimentos no futuro. Algumas dicas e novas idéias são propostas nessa obra que mostra que nem tudo pode estar perdido e que apenas a ação conjunta de toda sociedade poderia amenizar o caos que estaria por vir. Particularmente não acredito em ação conjunta da sociedade, principalmente devido as suas características atuais. Viver em uma sociedade capitalista e desejar ação conjunta é algo quase que utópico. Todavia, não podemos perder forças e entregar de bandeja as vidas atuais e também as futuras gerações.

5 - A Federação Brasileira - Manuel C. de Andrade/ Sandra M. C. de Andrade

Um olhar breve e claro sobre a história e formação da nossa Federação. Essencial para todos aqueles que buscam entender um pouco mais sobre a história do nosso país. Nossa sociedade historicamente ignorante e às margens dos meandros políticos poderia lutar, com maior embasamento e coerência, se temas como estes fossem considerados obrigatórios na formação dos cidadãos durante a vida estudantil.

Portanto, essas obras acima são as que considero fundamentais a todos aqueles que desejam entender um pouco mais te tudo que nos cerca e influencia. Agora, gostaria de “passar a bola” para mais 5 amigos que terão a nobre tarefa de listar as 5 obras inesquecíveis em suas vidas:

Ery, espero ter colaborado com esta fantástica corrente…

Um grande abraço a todos.

sábado, 21 de julho de 2007

Enfim, foi-se …

Pode parecer um certo tom de humor negro, mas após o desastre da TAM na última terça-feira nada como uma notícia mais animadora para nosso país. Isso mesmo, Antônio Carlos Magalhães bateu as botas e livrou o pais de pelo menos mais um político corrupto. Os noticiários tentaram passar uma certa neutralidade ao divulgar a notícia, mas personagens como o atual governador da Bahia foram cruciais para definir o velho homem em poucas palavras: amado e odiado por muitos. Eu poderia dizer até que mais odiado que amado, pelo menos a nível nacional. Digo isso porque infelizmente na terra natal do “homi” a população está literalmente de luto. Lá pelas bandas do nordeste é mais freqüente esse tipo de político que “rouba mas faz”. Na verdade faz por enganar os pobres coitados que sempre continuam a acreditar em tipos como estes.

Encerro comemorando mais essa vitória para o país. Quem dera se todos dessa laia fossem embora de uma vez só.

Forte abraço …

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Era uma vez uma hipocrisia …

Era uma vez duas irmãs que viviam em uma cidade do interior, pertencente a um dos mais importantes estados do país. Nessa nossa conversa as chamaremos de A e B para melhor identificarmos. Pois bem, ambas tinham namorado e viviam muito satisfeitas com o relacionamento. A intenção de casar era um fato verídico e necessário para ambas que sonhavam em viver com seus companheiros.

Entretanto, o destino reservou um caminho distinto para um delas, fazendo-a afastar pouco-a-pouco do que planejara há anos. A irmã B acabou por ficar grávida e uma nova vida se encaminhava para iluminar a vida do casal. Para estes, aquilo significava a consumação total do amor existente. Nada seria mais perfeito do que a chegada de um novo ser que faria parte dali em diante da vida de todos.

Mesmo assim, a vida não é cheia de flores. A vida em sociedade, pelo contrário, é cheio de hipocrisias repugnantes que deveriam ser extinguidas da face da Terra. Muitos da família, ao tomar conhecimento do caso, trataram de repudiar o fato agindo com total preconceito com o casal e com a atitude que tomaram. Vocês devem estar se perguntando, mas que atitude essa? Bom, meus amigos, havia me esquecido de dizer que esse casal, que agora aguardava a chegada de seu príncipe ou princesa, não tinham ligação com qualquer religião. E por esse motivo resolveram assumir o acontecido apenas se unindo definitivamente sem qualquer “benção divina”. A responsabilidade de criar um filho com amor e em família foi aceito com total prazer pelo casal. Pouco-a-pouco foram construindo o alicerce para poder contribuir com os mais valiosos valores éticos e morais para com a criança.

Enquanto isso a irmã A permanecia nos “moldes católicos” tidos como corretos e verdadeiros. A família não perdia oportunidades para fazer as famosas comparações totalmente desconstrutivas. Uma era tida como a errada, a incoerente, sem valores e totalmente irresponsável. A outra era correta, honesta e responsável com seus atos. O fato de uma das irmãs engravidar e não casar era algo como abominável na família e os valores realmente importantes para um ser humano eram deixados de lado em nome da hipocrisia e da mentira.

Agora pensemos, será que a irmã A e toda família poderíam realmente difamar a B de forma tão brutal e fria? Analisemos inicialmente pela visão católica, que não é a minha, mas se temos alguém que se sujeita a ela, certamente deveria ter a obrigação de segui-la com total fidelidade. A irmã A sempre manteve relações sexuais com seu namorado às escondidas, da mesma forma que a B. Que eu saiba sexo antes do casamento é proibido na visão católica. O pior, os pais ditos “muito católicos” sempre souberam e trataram apenas de não se falar mais nesse assunto. Muitos na família, como tios e tias, ou são separados ou estão vivendo com um segundo(a) companheiro(a) sem legitimação através das “leis divinas”. Ou seja, acusam o outro sem fazer uma auto-avaliação sempre necessária nas nossas vidas.

Agora, voltemos à análise racional e crítica do fato. Os valores católicos não possuem comprovação alguma. Ou seja, se alguém deseja seguir o catolicismo ou qualquer crença cristã, que o faça para si próprio e não tente se julgar correto diante daqueles que possuem outros valores ou crenças.

Agora me digam. Quem será que está mais correto ou errado? A irmã B que assumiu para todos a verdade se unindo ao companheiro, trabalhando juntos para a formação ética e moral de seu filho. Ou seja colaborando para que seja um novo brasileiro honesto e descente. Ou a irmã A que se mascara por detrás de uma crença que nem ela mesmo segue como deveria?

Eu tomo a liberdade de responder para todos. Nenhuma das duas estão corretas ou incorretas. O correto seria cada um viver a sua vida sem se importar com o que o outro faz ou deixa de fazer. É viver a vida sem as constantes comparações fúteis e idiotas.

Termino dizendo que muitos se mascaram atrás de uma religião e passam a julgar aqueles que não compartilham da mesma opinião. Através desta característica esquecem dos veradeiros valores que deveriam ser compartilhados por todos: honestidade, descência, coerência, ética e moral. Estes valores não são aprendidos com a religião, mas com a contribuição de pais verdadeiramente comprometidos com o país. Portanto, lembre-se, se for julgar alguém porque tem uma religião diferente ou mesmo porque não tem, verifique antes se ele é um cidadão honesto, ético e moral. Isso sem dúvida é mais importante para o país e para as pessoas em geral. A sociedade será mais limpa e melhor de se viver.

Um grande abraço a todos.

Rio de Janeiro e o PAN

No Rio desde sábado não há o que negar sobre este evento esportivo tão importante. Sem dúvida a cidade respira este momento pelos quatro cantos. Pode parecer impressão minha, mas até mesmo as pessoas se apresentam de forma mais festiva.

Infelizmente a cidade também é a capital nacional dos paradoxos. Não que nenhuma outra cidade também tenha contradições, mas o Rio é o que demonstra as atrocidades sociais de forma mais clara e evidente. O Rio continua lindo sim. Mas a cada semáforo, uma desilusão com o futuro.

Um grande abraço a todos…

sábado, 14 de julho de 2007

Notas sobre o PAN

Deixemos os pontos negativos de eventos como o PAN de lado. A cerimônia de abertura do PAN 2007 foi muito bonita e emocionante. Confesso-lhes que mesmo criticando esses tipos de eventos que só privilegiam realmente os já privilegiados, fiquei um tanto emocionado ao ver o Maracanã tão maravilhoso ao som do Hino Nacional.

As vaias ao nosso “líder” também tiveram sua parcela no show. Um sinal de que nem tudo vai de vento em polpa como dizem por aí.

Grande abraço a todos…

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Esquecendo Deus…

Tomo a liberdade de colocar o mesmo título da coluna desta quinta de Hélio Schwartsman. Os que já me visitam com certa freqüência já sabem que sempre gosto de citar algumas colunas do amigo acima justamente por julgá-las coerentes e um tanto polêmicas. Como muitos sabem também, o assunto religião é algo que sempre tenho abordado neste espaço. Minha visão bastante racional e cética concorda que em alguns sentidos a religião pode vir a se configurar como algo proveitoso na vida de alguns seres humanos. Mas tratando-se da boa parte das religiões, mais especificamente a cristã católica, na qual estou inserido, não encontro meios de acreditar em algo que explicitamente foi manipulado e moldado com o único intuito de dominar mentes e alienar os indivíduos.

No link abaixo, leia na íntegra a coluna do amigo Hélio.

Esquecendo Deus

Juro que, depois dessa coluna, deixo o tema religião de lado por uns tempos. O problema é que, quanto mais tento explicar meu raciocínio, menos compreendido sou, a julgar pelo crescente número de e-mails que recebo.

Retomemos a questão desde os seus prolegômenos. Não sou contra a religião assim como não sou contra a literatura, o sexo e as drogas. Todos eles podem ser fonte legítima de prazer para quem os usa. E não dá para negar que muita gente encontra conforto junto à religião. Alguns experimentam até mesmo o êxtase. Há ainda quem dela se valha para formar e cimentar um círculo de relacionamentos sociais, mais ou menos como um clube. Para nenhuma dessas funções, entretanto, é necessário que ela seja verdadeira. Aliás, afirmar que determinada religião é falsa é uma asserção com a qual a esmagadora maioria da humanidade tende a concordar, desde que o juízo não se refira a seu próprio credo.

Para que a prática religiosa se mantenha legítima, isto é, mais benigna do que maligna, é necessário antes de mais nada que ela não sirva de pretexto para imposições e violência. Se alguém, mesmo contra todas as evidências, quer acreditar que vinho se converte em sangue, e a hóstia, em carne, tem o direito de fazê-lo. O que não dá para aceitar é que, em nome dessa e de outras idéias às vezes exóticas, derive um código moral e busque empurrá-lo goela abaixo de toda a sociedade, incluindo os que não partilham das mesmas crenças, as quais, vale insistir, têm uma base empírica extremamente frágil, para dizer o mínimo.

E, infelizmente, a história está repleta de guerras e massacres cometidos em nome da religião. Mesmo hoje, em pleno século 21, muitas vezes é a fé que define aqueles a quem podemos matar. Terroristas jihadistas têm o “dever” de matar infiéis. Sunitas e xiitas no Iraque estão, em nome da verdadeira sucessão do profeta, autorizados a dizimar-se uns aos outros. Nós, no Ocidente, lançamo-nos na missão sagrada de semear a democracia no mundo islâmico. Fazemo-lo, é claro, atirando bombas. Aos que inadvertidamente morrem no processo chamamos eufemisticamente de “danos colaterais”. Em geral, são muçulmanos árabes, africanos ou asiáticos.

Não estou, evidentemente, atribuindo à religião toda a violência de que o homem é capaz. Ao contrário, estou convicto de que, não fosse a fé, encontraríamos outros pretextos para nos massacrar, como a coloração da pele, o idioma de origem ou alguma outra bobagem do tipo a mão que usa para escrever. É inegável, entretanto, que a religião serviu e está servindo de motor à barbárie. Nesse contexto, e dada a virtual impossibilidade de simplesmente acabarmos com os credos, a medida óbvia que se impõe é conter o fervor religioso das pessoas. Se todos forem um pouco mais relapsos na implementação de mandamentos que cobram a destruição dos infiéis, teremos um mundo mais pacífico.

Também não nego que a religião esteja na origem de coisas, senão boas, pelo menos interessantes, na música, na arquitetura, na pintura e, acrescento por minha conta e risco, na sutil arte metafísica. Só que vale aqui o mesmo argumento da violência. Não é porque essas realizações se deram sob o signo da religião que não teriam ocorrido sem ela, que, de resto, esteve com o homem desde que ele desceu das árvores. Daí não decorre que ela seja a responsável direta por todas as obras humanas, sejam elas boas ou más.

Isso nos leva a uma pergunta interessante. Por que diabos a religião existe? A resposta é mais ou menos óbvia para o crente: para honrar a Deus e pedir-Lhe que interceda por nós. Curiosamente, é entre agnósticos, ateus e outros que buscam uma abordagem científica do fenômeno religioso que a questão se torna controversa. “Grosso modo”, há os que lhe reconhecem algum valor, como o de reforçar os laços sociais entre as pessoas numa comunidade, e os que a consideram um mero efeito colateral –e adverso– da circuitaria cerebral humana. O biólogo Richard Dawkins, por exemplo, aposta que o pendor humano pelo sobrenatural é o resultado inopinado do módulo cerebral que nos torna crianças obedientes, acreditando, sem nenhum espírito crítico, nas histórias que nossos pais nos contam. Especialmente no passado darwiniano, obedecer cegamente aos mais experientes ajudava a manter-nos longe de perigos. Outros autores, como o filósofo Daniel Dennett, elaboram um pouco mais a questão, sugerindo a concorrência de outros módulos neuronais, como a tendência a ver agentes onde só existem sombras (o seguro morreu de velho) e a inventar explicações, ainda que infundadas, para tudo –característica que, embora nos faça pagar alguns micos, pode contribuir para a sobrevivência do grupo.

Sei que nós, seres imperfeitos, não devemos questionar as decisões do Altíssimo, mas convenhamos que não faz muito sentido para um Deus onipotente e benevolente revelar-se na forma de colecionador de prepúcios para os judeus e, para os maias, como um espectador ávido por sacrifícios humanos. A hipótese de que deuses são criações humanas explica muito melhor a universalidade do fenômeno religioso do que a teoria das “sementes de verdade” propugnada pelo catolicismo.

Alguns de meus interlocutores partiram dessa universalidade da religião para concluir que ela é necessária e benéfica. Até admito que, no passado, ela possa ter ajudado. Já não é o caso. A religião acabou tomando rumos que a tornaram uma força mais maligna do que benigna, atuando muito mais para separar as pessoas –e de forma violenta– do que para uni-las. Um dos responsáveis por essa transformação foi o advento do monoteísmo, tão celebrado por judeus, cristãos e muçulmanos.

É claro que os povos já guerreavam muito antes de Abrão deixar a cidade de Ur, na Caldéia. Só que os combates não costumavam vestir as roupagens da religião. Aliás, nem havia necessidade. Uma das vantagens do politeísmo é que ele favorece o livre intercâmbio de deuses. Um babilônio e um grego tinham inúmeras diferenças, mas, se havia algo que podia uni-los, era justamente identificar as semelhanças entre Ishtar e Afrodite, que se tornavam apenas diferentes nomes da mesma deusa. Com o monoteísmo, veio o exclusivismo. Deus não apenas pedia para ser louvado como passou a exigir a destruição de seus, digamos, concorrentes. Estava aberta a avenida para a intolerância religiosa, que até hoje segue contabilizando vítimas. Nesta semana mesmo, o Vaticano soltou um novo documento que volta a proclamar sua superioridade sobre as igrejas ortodoxas e as “seitas” protestantes. “Quod erat demonstrandum”.

A forma como encaramos Deus é, felizmente, mutável. Ishtar, Afrodite, Mitra, Wotan e vários outros panteões foram esquecidos. O próprio Iahweh do Antigo Testamento se tornou, de algum modo, menos raivoso: a grande maioria dos judeus e dos cristãos já não apedrejam aqueles que levam Seu santo nome em vão. É um progresso. E, já que todos os sinais são de que a religião não desaparecerá tão cedo, resta esperar que ela continue se modificando para assumir formas menos destrutivas. Não creio que isso ocorrerá no horizonte de nossas vidas, mas quem sabe no dos netos dos netos de nossos netos.

Hélio Schwartsman

domingo, 8 de julho de 2007

Saudações …

Passo por aqui neste domingo apenas para manifestar minha felicidade com relação a escolha do Cristo Redentor, como uma das 7 maravilhas no mundo. Confesso-lhes que algumas coisas no Brasil mereciam o prêmio, como a própria Floresta Amazônica. O Cristo Redentor pode ser uma das maravilhas, mas analisando os demais escolhidos percebe-se que o Cristo não possui nem de longe a mesma importância para civilização.

Parabéns Cristo Redentor, o cartão postal brasileiro.

Grande abraço.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O Chavismo e a esquerda tola …

O Chavismo é um tema que divide multidões em todo mundo. Muitos são contra as atitudes arbitrárias do líder, taxando-o de ditador e assassino dos valores democráticos de liberdade de expressão. Todavia, existem aqueles que enxergam o presidente venezuelano como uma possibilidade de uma real liberdade do continente, livrando-nos dos valores que nos foi imposto de modo massacrante pelo imperialismo norte-americano. Valores estes que são tidos como globais nos dias atuais.

Sempre fui um defensor das medidas de Hugo Chávez na Venezuela. Pelo menos de início parecia-me uma pessoa realmente determinada a resolver o problema da desigualdade social e a constante dependência dos grandes capitais internacionais. Até mesmo o fechamento da RCTV é preciso avaliar com mais racionalidade. Tudo bem, calar uma das maiores emissoras do país é subitamente entendido como o cerceamento da liberdade de opinião, muito valorizado em qualquer sistema democrático. No entanto, é visível que o papel da RCTV configura-se da mesma forma que o de grandes emissoras por aqui. Nossa “amada” Rede Globo que o diga. A mídia com suas poderosas ferramentas sempre manipularam a opinião pública, fazendo-a defender os ideais dos ricos e poderosos. Mas fiquem tranqüilos, amigos! Não defendo a maneira como Chávez agiu. E digo ainda mais, a forma como ele vem governando seu país é típico de xiitas esquerdistas que um dia já fui defensor. Essa política que se resume em criticar o “império” atribuindo-lhes a responsabilidade por todas as injustiças no país jamais levou a qualquer lugar. Inclusive a esquerda de uma maneira geral sempre leva os problemas de qualquer país para esse lado.

Acredito que Chávez incluindo os mais fanáticos de esquerda, deveriam ver que aliado a exploração das super potências em nosso território, os problemas internos foram iguais ou maiores que os fatores externos. Tanto na Venezuela como no Brasil a corrupção atinge índices alarmantes. E por favor, vão dizer que isso é culpa dos Estados Unidos também? Vamos assumir nossa culpa no cartório e começar a trabalhar pelo crescimento do nosso país. O capitalismo é predatório? Evidente que sim! Mas sinceramente acredito que existem possibilidades de se viver neste sistema com desigualdades sociais bem inferiores às atuais.

Se nossos presidentes aqui na América do Sul quisessem realmente melhorar nossa situação certamente investiriam de verdade em setores estratégicos para qualquer nação. Educação é uma delas, evidentemente. Mas o próprio presidente brasileiro, que veio da miséria, sabe muito bem que os brasileiros permanecendo como pobres e ignorantes serão sempre mais úteis. O Bolsa-Esmola ilustra perfeitamente o fato.

Posteriormente abordarei o tema fanatismo político que é um problema generalizado no nosso país. Por um lado temos os esquerdista irracionais e radicais e por outro os famosos conservadores ridículos.

Termino fazendo um apelo para que avaliemos os assuntos do cotidiano a partir de várias óticas. Desta forma, estaremos nos afastando cada vez mais de uma visão extremamente tendenciosa.

Um grande abraço a todos …

segunda-feira, 2 de julho de 2007

É assim que tudo começa…

Tenho lido e visto a opinião de diversos especialistas sobre o problema da educação no país. A qualquer roda de conversa que faço parte, o tema é abordado constantemente com o intuito de tentar encontrar alguns dos vários detalhes que fazem dela um dos pontos muito fracos do nosso país.

Como professor tenho visto como os alunos têm chegado nas séries mais avançadas do ensino fundamental e médio. Totalmente despreparados, muitos sem saber ler e escrever. A questão que se tem em mente é a de como esses jovens conseguem chegar a séries tão avançadas sem possuírem o mínimo de pré-requisitos para a aprovação? Claro que temos de levar em consideração o fato das aprovações automáticas, cada vez mais atuantes no processo educacional atual. Os governos recebem fatia maior das verbas de acordo com a porcentagem de aprovados nas escolas, por isso a intenção em aprovar o maior número possível.

Boa parte dos alunos não contam com um início de vida escolar muito atrativo. Quando não possuem alguma deficiência física que os prejudique no aprendizado, a estrutura familiar também colabora para que o sucesso do jovem esteja cada vez mais distante. Somente a título de ilustração, gostaria de lhes contar um fato que tem acontecido bem perto de mim. Minha irmã está em processo de adoção de uma pequena garotinha de 8 anos. Desta forma, passou a atuar ativamente no processo educacional da criança, bem como no bem estar geral de seu cotidiano. Logo, percebeu que a jovem criança sofria de um agudo problema de visão, que dificultava intensamente o aprendizado. Pois bem, esta foi tida como uma criança que não gostava de estudar, já que sua atenção era fraca e não conseguia atingir os níveis adequados. Trata-se de um caso clássico onde a criança já não tinha apoio familiar e ainda contava com uma deficiência visual em níveis consideráveis, que prejudicava bastante seu aprendizado.

A própria professora chegou a passar textos enormes para que ela copiasse, mesmo sabendo que a criança não sabia ler e escrever adequadamente. E Isso é um fator que revolta ainda mais. Sinceramente não acredito em falta de preparo da professora, mas sim em um total descomprometimento com o futuro daquelas crianças que serão o Brasil de amanhã. Mas é dessa forma que caminha nossa educação. Nossos jovens geralmente sem apoio familiar, aliado à falta de compromisso dos profissionais que deveriam ao menos tentar zelar pelo bem estar geral.

Conheço a velha reclamação acerca dos baixos salários e as condições de trabalho. Mas isso ainda não é passível de justificativa para abrirmos mão totalmente daqueles que serão nosso país no futuro. Senão, permaneceremos nesse ciclo maldito da constante formação de cidadãos alienados e alheios as mazelas do nosso país.

Lamentável e desconfortante.

Um grande abraço a todos …