Umas das coisas que mais me incomodam nos dias atuais diz respeito à hipocrisia generalizada que se instalou na sociedade. Bem sei que já é tempo que ela existe, mas parece que a cada tempo que passa tornamo-nos cada vez mais falsos e incoerentes. Muitos que passam por aqui, e gosto sempre de reiterar isso, sabem muito bem da minha aversão tanto para com as principais religiões, como para com os inúmeros fiéis alienados e “ceguetas”. Acho, inclusive, que a religião caracteriza-se por ser uma instituição tão poderosa que consegue fazer com que seus fiéis súditos a defendam sem mesmo possuir qualquer conhecimento de causa. Boa parte daqueles que a defendem, só tiveram a visão religiosa como norteadora e jamais viram qualquer coisa que fosse de encontro às crenças mentirosas e surreais que acreditam. E mesmo aqueles que possuiram esse tipo de antítese, trataram logo de repugná-la antes mesmo de analisar racionalmente as demais versões para todas estas questões da vida, que ninguém tem a resposta. E diga-se de passagem, muito menos os religiosos.
A igreja católica, por exemplo, é um caso clássico de como a história foi manipulada para se criar uma versão que abarcasse um grande número de adeptos pelo mundo. Aliás, se muitos enchem o peito para dizer pertencerem a “maior” religião do mundo, não acredite que isso se deveu por obra do divino. Agradeçam a Constantino que incorporou o cristianismo ao Império Romano, que por sua vez a levou para todos os locais dominados… Desse ponto em diante a religião ganhou força e na base da farsa cometeu os mais criminosos atos que deveriam ser repugnados para todo o sempre. Inclusive no Brasil, só “somos católicos”, e já disse isso em outra oportunidade, devido a matança generalizada por parte dos portugueses que humilharam e destruíram qualquer tipo de raiz cultural indígena existente.
Mas saindo um pouco dessa visão histórica e racional, o motivo da minha passada por aqui deve-se a um fato curioso que ilustra muito bem o que disse acima. Como todos viram, o título deste artigo faz alusão a famosa frase “Sou católico e dizimista, graças a Deus”. Essa frase é mais comum nos meios carismáticos, mas com grande visibilidade dentre os católicos tradicionais. Eu sinceramente digo a vocês que não vejo motivo algum para bater no peito e dizer ser dizimista. Ajuda o país? Diminui as incoerências de nossa sociedade? Evidente que não. Certamente se ao invés dessa mensagem, colocassem talvez “sou católico e participo da vida política do meu país”, ou mesmo “sou católico e luto contra as desigualdades sociais no Brasil”, esse Deus que eles tanto pregam poderia ficar um pouco mais satisfeito.
Agora vejam que interessante. Uma dessas famílias que ostenta tal adesivo, não teve problemas em aderir a um sistema de TV a Cabo pirata. Aliás, boa parte do bairro em que resido não pensou duas vezes em fazer o mesmo. E pergunto a vocês? Em um Brasil com uma corrupção latente, seria correto pessoas que se dizem religiosas cometerem tal ato ilícito? Sempre costumo dizer o seguinte, se você tem coragem de cometer qualquer ato criminoso e desleal, mesmo que pequeno, não tem moral para acusar políticos que manipulam o nosso dinheiro em Brasília. E são justamente estas pessoas que se julgam melhores que as outras. Pelo simples fato de acharem que aquilo que acreditam é a mais pura e única verdade no mundo.
Esta incoerência que tanto falo, também foi abordada no meu artigo Era uma vez uma hipocrisia. Seria legal se passassem por lá também.
Um forte abraço a todos…