segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Bradesco cresceu 58,5% em 2007

Como nós pobres mortais podemos achar normal uma instituição que apenas movimenta o dinheiro dos clientes de um lado para o outro, crescer mais de 50% em apenas 1 ano ? Veja, os bancos não produzem nada, apenas manipulam o dinheiro alheio. Se comparar o crescimento dessas instituições com empresas de grande porte como Petrobrás e Vale do Rio Doce, verão que o crescimento dos bancos é algo realmente assustador.

Muito desse crescimento foi mantido pelas altas taxas bancárias e principalmente de crédito. Com a propagação do crédito pelo país inúmeras pessoas não pensam duas vezes em pegar dinheiro emprestado com financeiras e afins. No mercado de automóveis, por exemplo, é comum encontrar pessoas que adquirem seu veículo em 60 suaves prestações, sem se importar com o valor final que estará pagando. Em geral adquirem um veículo, mas pagam o valor de dois ou até três. E por falar nisso não entendo porque a agiotagem é crime. Os bancos não fazem isso?

Como podem crescer tanto em um país onde a miséria e a desigualdade imperam em larga escala? Como em um país que sofre para conseguir crescer 5% ao ano? Parece realmente um negócio rentável se sobressair as custas do suor do povo e do trabalho alheio.

Nossa economia cresce e os investidores chegam com seus dólares. Mas será que nossa economia melhora em benefício dos brasileiros? Ou seria para os grandes empresários e banqueiros em geral "mamarem" cada vez mais?

Um triste e necessária reflexão.

Forte abraço a todos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Conversa franca ...

Este blog nasceu em julho de 2006. De uma forma inusitada transformou-se no espaço que reservava para criticar e refletir sobre os problemas que envolviam meu cotidiano. Por estar atrelado ao espaço da geografia, os assuntos referentes ao país e ao mundo também eram abordados com freqüência. Sentia-me como um ser capaz de difundir idéias e transformar pensamentos. Achava que possuía pensamentos à frente do meu tempo e até mesmo de meus contemporâneos na faculdade. No fundo creio ainda sentir isso, mesmo que em proporção menor. O ano de 2007 se foi e assim como todos os seres humanos fui sofrendo alterações de pensamento, na forma de interagir com o mundo. Pode ser que o fato de estar mais distante do meio acadêmico tenha feito com que perdesse um pouco daquele estímulo de escrever. A verdade é que lendo alguns artigos de tempos atrás sinto que não consigo, pelo menos por agora, atingir aqueles níveis de reflexão. Certas vezes acredito ter enjoado da minha forma de escrever ou mesmo do que penso. Veja que controverso! Enjoar de si mesmo sempre foi algo que achei impossível de acontecer.

Aparecem idéias, mas são difíceis de concretizá-las em artigos. Penso que em alguns artigos tenha escrito coisas que não agradaram muitas pessoas. Mesmo que esse espaço seja reservado para minhas idéias, portanto sem a intenção de agradar ninguém, tenho uma profunda dificuldade de viver imaginando que algumas pessoas não gostem de mim. Aliás, esse sentimento tem sido freqüente em minha vida. Tenho sempre a nítida sensação de estar sendo rejeitado nos mais diversos espaços. Sei que essa rejeição nasce de mim e não dos outros. Nós seres humanos freqüentemente temos o costume de creditar a culpa nos outros. Passo também por uma tamanha sensação de incompetência. Sinto-me incapaz de evoluir em minha profissão, muitas vezes valendo da idéia de que existem profissionais muito melhores que eu. Muito diriam que desse sentimento deveria nascer a vontade de lutar e ser melhor. Mas confesso-lhes que está difícil. Não tenho tido momentos de calmaria para poder dedicar-me aos estudos ou as leituras que sempre gostei. Minha vida anda um tanto corrida, principalmente por tudo ter ocorrido tão repentinamente. De um ano para o outro de um simples universitário, passei a pai de família com inúmeras responsabilidades. Não quero que entendam que não gosto dessas tarefas. Amo minha esposa e filha e agradeço infinitamente a Deus por estar com elas. Mas acho que de alguma forma terei de deixar os estudos um pouco de lado, pelo menos por uns três ou quatro anos, dando tempo para Renata concluir a graduação e minha filha crescer um pouco. Afinal elas merecem minha atenção e não posso deixar esse tempo passar sem que perceba. Ele certamente não voltará.

Os anseios de um pai de família, de um professor em crescimento e de um ser humano vivendo em um sistema capitalista se confrontam drasticamente. Os três não serão conquistados ao mesmo tempo. Por isso a necessidade de escolhas. Quero vencer em todos, mas terá de ser um de cada vez.

Pensei em parar de escrever por um tempo. Talvez até mesmo acabar com este blog. Nestes momentos penso muito no amigo Valter, que há tempos atrás passou por momentos em que não tinha vontade de escrever sobre nada. Resolveu dar um tempo e posteriormente voltou com toda força. Tenho medo de tentar fazer isso e jamais voltar, lembrando que foi através desse espaço que conquistei amizades fantásticas.

Termino dizendo que foi bom conversar sobre isso com vocês. Em muitos casos necessitamos expor nossas questões para que tenhamos mais campo de visão para solucioná-los.

Um grande abraço a todos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Pelas células-tronco embrionárias

Células-tronco constituem mais um dos debates que tangenciam os limites éticos, confrontando visões de cientistas, religiosos, políticos, ministros e a sociedade em geral. Para quem não sabe, as células-tronco são células indiferenciadas, capazes de se transformar em outros tecidos do corpo.

Dentre elas, existem duas categorias: as adultas, presentes em diversos tecidos, como a medula óssea, cordão umbilical, sangue, polpa de dente etc; e as embrionárias, as células-tronco mais potentes do corpo humano, que existem apenas no embrião. Para retirá-las, portanto, é preciso interromper o desenvolvimento embrionário.

Por que usar células-tronco? Porque elas são a esperança de cura para várias doenças cardiovasculares, neuromusculares e deficiências como paraplegia, entre outras.

Em 2005, cientistas foram à Brasília e insistiram na aprovação de uma lei que permitiria o uso destas células. Com 96% da aprovação do Senado e 85% dos deputados federais, criou-se a Lei de Biossegurança: uma vitória para os pesquisadores. O problema é que o ex-subprocurador-geral da República, Cláudio Fontelles, questionou esta lei, que está em processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em um momento histórico, o STF abriu um debate público que ocorreu dia 20 de abril de 2007, cujo objetivo era discutir os argumentos a favor e contra as pesquisas diante dos ministros do Supremo. Os cientistas foram ouvidos mais uma vez no dia 13 de dezembro de 2007. Uma das maiores vozes do movimento pró-pesquisas com células-tronco embrionárias é a Mayana Zatz, do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, geneticista que há muito vem mostrando as vantagens da pesquisas.

A Lei de Biossegurança, que está provisoriamente em vigor enquanto os ministros não decidem se aprovam ou não as pesquisas, prevê que só podem ser usados embriões para as pesquisas depois de 3 anos congelados em clínicas de fertilização, com o consentimento dos doadores. Isto é, a maioria dos embriões são inviáveis para a reprodução, o que significa que não teriam qualidade para implantação no útero, ou estão fragmentados, ou pararam de se dividir. Se continuassem congelados, iriam para o lixo.

Em vez de jogá-los ao lixo, por que não doá-los à ciência? Os cientistas usam embriões inviáveis na grande maioria dos casos. Grupos conservadores se opõem dizendo que se está tirando uma vida, o que não é verdade, porque a maior parte destes embriões não gerariam vida depois de tanto tempo em conserva.

Além do mais, em que se pese as vantagens dos possíveis tratamentos que estão sendo desenvolvidos, nota-se que é muito vantajoso usar as células-tronco embrionárias. Por isso, peço a todos que pensem sobre este tema e assinem o abaixo-assinado para a aprovação definitiva da Lei de Biossegurança:

http://www.petitiononline.com/pesqcel/petition.html

Pensem em quantas pessoas poderiam se tratar no futuro, quando as pesquisas estariam muito mais desenvolvidas. Diversas doenças sem perspectiva de cura poderiam ser revertidas pela terapia com células-tronco. Diga não ao conservadorismo sem embasamento argumentativo. Diga não ao obscurantismo.


Adriano Senkevics escreve para o Letras Despidas

sábado, 5 de janeiro de 2008

Considerações ...

Amigos do Críticas & Reflexões,

Sei que nos últimos dias andei um tanto distante deste espaço. Confesso-lhes que passo por uma crise de conceitos bastante grande. Ando tendo posições diversas diante de temas polêmicos e isso faz com que tenha de me abster de novos artigos. Pensei em escrever sobre vários temas, mas no fim nada saia do campo das idéias.

Passo por aqui para desejar-lhes um ótimo recomeço nesse novo ano que se inicia. Mas também, para manifestar minha total insatisfação com nosso governo hipócrita que perdendo a luta no caso do CPMF, tratou logo de buscar formas de recuperar o dinheiro perdido. No caso da tentativa de reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras - IOF, o governo arrecadará muito mais que a CPMF. O cinismo do nosso presidente e de seus aliados me irrita, comprovando mais uma vez aquela tese de que uma vez situação e não mais oposição, as coisas mudam totalmente de figura.


É isso aí pessoal, nos próximos dias estarei em Angra dos Reis. Desta forma, novos artigos somente após o dia 18 de janeiro. Um forte abraço a todos.