Muito se tem falado a respeito da renúncia de Fidel Castro na última quarta-feira. Para formar uma opinião mais consistente e menos ideológica da situação, procurei analisar a visão de inúmeros colunistas de importantes jornais da mídia brasileira. O texto Ilha Mito, de Miriam Leitão sintetiza com sabedoria os pontos negativos e positivos da ditadura castrista, mostrando que nem tudo são flores e muito menos espinhos no país.Fico embasbacado com a capacidade hipócrita que inúmeros colunistas tem de escrever apresentando o sistema imposto por Fidel Castro como a escória do mundo. Transformam o sistema capitalista e a "democracia" Estadunidense em modelo e exemplo a ser seguido. Falam em liberdade de expressão e inúmeras vantagens de uma economia atrelada ao capital.
Pode parecer aqui que queira fazer uma apologia ao antigo regime soviético ou cubano. Não, meus caros! Quero aqui fazer um apelo para não nos perdermos nas ideologias cegas existentes pelo mundo. É certo que a ditadura castrista passou longe dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Não concordo com essas características. Mas por favor não transformem o sistema capitalista liberal e "democrático" das grandes potências em modelo de vida e igualdade. Por favor, não esqueçamos de como a América Latina agoniza para se levantar nesse sistema desigual e sempre em favor dos mais afortunados. Não percamos de vista as mazelas do continente africano e grandes áreas da Ásia. Os inúmeros conflitos fomentados pelos Estados Unidos em benefício próprio.
Frei Betto, voltando de Cuba recentemente, salientou que muitos cubanos temem essa tão "magnífica abertura econômica e democrática" justamente por saberem que uma vez no capitalismo jamais serão do "pedigree" de potências. Muitos temem ser uma nova Nicarágua, cada vez mais explorada nesse inferno do capital.
É muito fácil defender o capital quando se é beneficiado por ele. Será que para os inúmeros desnutridos da face da Terra o sistema é tão bom assim? É bom refletirmos!
Por fim, deixemos de lado o fanatismo, como salientei no artigo anterior, para observar os acontecimentos da forma mais imparcial possível. Como Miriam Leitão mesmo salientou, o melhor para Cuba sem dúvida seria a abertura política e econômica. A população cubana tem o direito de ter acesso a liberdade de expressão e aos inúmeros avanços conquistados com os direitos humanos. Mas seria possível se entregar a estas características sem deixar cair o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano? Que diga-se de passagem é exemplo dentre os pobres capitalistas.
Forte abraço a todos.

