sábado, 21 de junho de 2008

Centenário de Josué de Castro

Agradecendo a sugestão do nobre amigo Valter Ferraz tomo a liberdade de postar, uma breve biografia do homem Josué de Castro. Notável indivíduo que lutou enquanto vivo, contra um dos mais graves problemas da humanidade: A fome. Homens como Josué merecem ser lembrados pela contribuição à sociedade. Tenho orgulho de pertencer a mesma ciência que ele um dia trabalhou com tanto afinco.

Em 1964, aos 56 anos, o então embaixador do Brasil junto aos Órgãos das Nações Unidas, em Genebra, Josué de Castro, teve seus direitos Políticos cassados.

lnterrompia-se, pelo arbítrio, a profícua atividade intelectual do humilde médico brasileiro que, aos 21 anos, iniciara sua atividade clinicando na Cidade do Recife e chegara a representante do Governo de seu País.

Longa foi a caminhada deste inconformado nordestino que se tornou mundialmente conhecido por seus livros, cargos que ocupou, funções que desempenhou, organismos que criou e aulas que ministrou, no Brasil e no Exterior.

Entretanto, o que mais o notabilizou foi, sem dúvida, quer no exercício da cátedra, na Presidência da FAO, no Parlamento Brasileiro (como deputado pelo antigo PTB), nas salas de aula ou nos momentos solitários do escritor consagrado, a eleição de um tema até por ele mesmo considerado bastante delicado e perigoso, a fome. E foi contra ela, em toda a sua extensão e manifestações, que travou o bom combate de sua vida.

A publicação, em 1946, da primeira edição da Geografia da Fome, seu mais conhecido livro já traduzido em 25 idiomas, assinala o início das denúncias que pretendeu levar, a seus patrícios e ao mundo, acerca desse grave flagelo que, ainda hoje, assola a humanidade. Seguiram-se a Geopolítica da Fome e outros livros que terminaram por identificar o autor com o tema central de suas obras.

No exílio a despeito dos muitos convites que recebeu de diferentes países, escolheu para morar a França. Criou o Centro Internacional de Desenvolvimento e voltou a lecionar Geografia Humana, na Universidade de Paris, até sua morte, em 1973, dez anos depois.

A vida de Josué de Castro foi uma grande lição de engajamento em sua própria realidade, sua própria cultura. Procurou desenvolver toda uma ciência, a partir de um fenômeno que é a manifestação do subdesenvolvimento em sua mais dura expressão: a Fome. Tentou criar uma teoria explicativa para a triste realidade do subdesenvolvimento, da pobreza, da miséria. Tentou modificar a história de seu país. É este homem que o Brasil de hoje precisa deixar de ignorar.

Anna Maria de Castro
Professora titular da UFRJ
Doutora em Sociologia Aplicada
(filha de Josué de Castro)

Formação de professores é diferencial

Em mais uma matéria do G1 sobre educação foi abordado os bons índices do colégio de aplicação da UFPE. As instalações adequadas, seleção de alunos para admissão e qualificação dos professores foram indicadas como possíveis causas dos excelentes resultados. Todavia, venho aqui para discordar de um conceito que tem sido defendido freqüentemente nos meios de comunicação e também nos ambientes intelectuais.

"Além disso, dos 58 professores, 12 possuem títulos de doutor e 27 de mestre[...]”,

Não sei de onde tiraram que ter título de mestre ou doutor auxilia no aprendizado dos alunos ou no domínio de sala e conteúdo por parte dos professores. Se fosse isso, os melhores professores estariam nas universidades, coisa que infelizmente não acontece. Tanto o mestrado como o doutorado, tidos como postos máximos na qualificação educacional, apenas fazem o aperfeiçoamento do profissional em algum tema específico. Não o prepara para ter maior domínio sobre conteúdos gerais. Posso concordar que um profissional com tais títulos tenha grande capacidade de intelecto, mas isso não comprova sua capacidade como professor.

O bom professor precisa, acima de tudo, de paixão pela sua disciplina. Como se fosse uma espécie de casamento. Tem de ter prazer por passar um conteúdo, que para o próprio professor é entendido como conhecimentos indispensáveis. Ocorre que a grande maioria dos professores, destruídos pelo sistema educacional falido e deficiente, perdem a paixão pela profissão e a tratam apenas como forma de obter retorno financeiro ao final de cada mês.

O professor precisa se auto valorizar, mostrando para todos como é importante sua função para sociedade. Sinto-me importante e nem um pouco abaixo de profissões de "grife" no Brasil, como são tratados os médicos, advogados e engenheiros.

terça-feira, 17 de junho de 2008

15% dos professores sofrem de esgotamento emocional

Uma notícia no G1 chamou bastante minha atenção. Trata-se da síndrome de burn out que atinge 15 % dos professores da rede pública básica. Geralmente os sintomas estão atrelados a baixa realização profissional, o alto grau de esgotamento emocional e também ao distanciamento dos alunos.

Acredito que o terceiro item deve ser destacado pois boa parte dos professores enfrentam o mesmo problema: a falta de interesse dos alunos. Ao fazer a estratégia para uma boa aula o professor, mesmo sabendo dos percalsos, sempre conta com o alto nível de retorno por parte dos alunos. No fim, encontram alunos desmotivados que provocam fatalmente uma grave decepção. Mesmo tendo apenas 2 anos de profissão percebi que por algumas vezes sofri esse tipo de frustração. Em alguns dias, por exemplo, não tenho a mínima vontade de lecionar justamente por ter um desgaste acima do normal em algumas turmas.

Termino dizendo que as questões educacionais são mais complexas do que as respostas simplistas que encontramos por aí. Não são apenas os alunos que sofrem com a péssima educação. Nem sempre são os professores que são mal qualificados. Na grande maioria dos casos ocorre a má valorização do profissional da educação. Lutemos todos pela educação.

a matéria na íntegra você confere aqui.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

"Estamos no melhor dos mundos", segundo Haddad

O resultado do IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica deixou bastante satisfeito o Ministro da Educação Fernando Haddad. Houveram avanços de notas nas séries iniciais e finais do ensino fundamental e médio, o que na visão do ministro, é sinal de que nosso sistema educacional melhora em um ritmo acima do que se esperava. O número de aprovação também subiu, dando ênfase aos dizeres de Haddad.

Todavia, o aumento de índices de notas ou mesmo de aprovação não comprovam na verdade uma melhoria na educação do país. Em um sistema que destina mais verbas para as instituições que obtiverem uma porcentagem maior de aprovação, é notório lembrar que um salto positivo nos índices de nota e aprovação não comprovarão uma melhora da educação como um todo. O que ocorre, na maioria das vezes, é a manipulação de resultados para obtenção da verba desejada. Tendo experiência direta com o assunto, inúmeras cidades pressionam as escolas para que aprovem o maior número de alunos. Desta forma, a verba chega de forma mais fácil.

"O ministro da Educação explicou que as escolas que atingiram as metas no Ideb deste ano poderão contar com repasse automático de recursos públicos..."

Conclui-se que as instituições que não atingirem os índices terão de prestar contas. Sendo assim, melhor atingir os índices de qualquer forma do que correr o risco de receber menos dinheiro.

São freqüentes os casos de alunos semi-analfabetos que são aprovados por nosso sistema educacional. Não importa o desenvolvimento real da criança, mas apenas os índices de aprovação. Portanto, o resultado do IDEB pode apresentar apenas superficialmente a realidade do nosso sistema educacional. Todos fingimos que a educação existe em nosso país. Assim, mais uma geração de medíocres é formada. Pergunto: Quais as perspectivas para um país continental como um nosso, que trata a educação com tanto descaso? Vale a reflexão.

Grande abraço.


Confira a matéria do G1 referente ao tema.

Evidências do descaso.


O vídeo acima ilustra o que venho falando há alguns dias no blog. A situação de descaso com a educação do Brasil é muito grave, chegando a situações extremamente insustentáveis. Falta de educação? Vítimas da sociedade? Em partes sim, mas reitero que a impunidade que reina em nosso país é uma das principais armas que os agressores possuem a favor deles.

Será que você, cidadão, tem noção do que ocorre nas escolas a sua volta? Você procura pressionar o poder público para a questão da educação precária? Ou apenas se preocupa se sua rua está asfaltada? A educação é responsabilidade de todos e não apenas daqueles que estão diretamente envolvidas com ela. Pense nisso!

Forte abraço.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Lista das melhores escolas no Brasil

Para quem ainda não pode conferir a lista das melhores escolas do país, segundo o Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, segue abaixo link para acesso as informações.

As melhores escolas do país.

O resultado não foi de se admirar, pois as melhores notas no país foram creditadas as escolas particulares principalmente dos grandes centros do país. As melhores escolas "públicas", se é que podemos dizer mesmo assim, foram em geral os colégios de aplicação de grandes universidades brasileiras, ou mesmo escolas militares. Tudo isso é prova de como nossa educação de massa está sucateada e serve mesmo, como propunham alguns estudiosos, para apenas perpetuar o atual sistema. Mantendo os ricos cada vez mais ricos e limitando todo e qualquer tipo de oportunidade para as camadas mais populares. Sinceramente, tenho a impressão de que no meio educacional apenas eu me preocupo com a situação. Ao conversar com inúmeros professores nenhum deles cita alguma tentativa de melhorar o ensino e a educação como um todo. Mesmo sabendo de todos os problemas a se enfrentar. Os colegas de trabalho expressam a intenção de colocar seus filhos em escolas particulares para que não precisem conviver com as atrocidades ocorridas nos colégios da rede pública. Um tanto paradoxal pois fazendo isso estamos assumindo a nossa incapacidade de tornar o ambiente público um pouco mais agradável e eficiente.

Continuo defendendo que mesmo estando em desvantagem em relação à particular, a rede pública possui alunos de ouro que devem, sem dúvida, ser lapidados com todo carinho. Nós, profissionais de educação, devemos lembrar que muitos possuem salvação e não devemos lecionar pensando ser este um ofício qualquer. Temos uma razão nobre de estar em sala de aula.

Certas vezes tenho nojo do grupo de profissionais a qual pertenço.

sábado, 7 de junho de 2008

Crise mundial de alimentos

A atual crise de alimentos que paira no planeta nos remete a refletir sobre as famosas teorias malthusianas e neo-malthusianas. Através da primeira afirmava-se que a produção de alimentos se daria em progressão aritmética, enquanto o crescimento da população se faria em uma progressão geométrica. Já a segunda afirmava, e muitos ainda a defendem, que a explicação para a pobreza e miséria de inúmeros países seria justificada pela sua grande população. Logo, um país com pouca população poderia ter melhores condições para superar os eventuais obstáculos.

Ocorre que no momento em que estamos tentar justificar a atual crise de alimentos, através de respostas simples e objetivas parece estar longe do ideal. Soubemos, através dos inúmeros noticiários, que as causas são inúmeras como o crescimento de economias emergentes, a pressão do petróleo sobre a agricultura, o protecionismo dos países desenvolvidos e, a mais célebre, que credita toda culpa da alta de preços na expansão dos biocombustíveis pelo mundo. Algumas revistas e jornais internacionais chegam ao ponto de creditar a maior parte da culpa no Brasil, que possui as melhores possibilidades de se desenvolver no ramo.

Parece nítido que existem interesses obscuros em tentar denegrir a imagem do Brasil no cenário internacional. Apesar do alto nível de corrupção e impunidade que regem nosso país, o Brasil demonstra que se for governado de forma coerente e correta pode se tornar uma das grandes potências do mundo. Fica agora a cautela em não tentar culpar esse ou aquele fator para essa crise mundial. Temos a certeza de que todos os fatores acima citados e outros mais atuam concomitantemente agravando ainda mais o cenário delicado por que passa a economia global.

O governo brasileiro deve estar atento aos interesses externos em denegrir nossa imagem para tirar proveitos futuros. Temos terras em abundância e um clima perfeito para o cultivo das mais variadas culturas. Minerais são variados e os possuímos com fartura. Possuímos ainda, não sei até quando, um patrimônio fantástico conhecido como Floresta Amazônica. Enfim, um sem número de oportunidades para crescer. Temos condições de nos tornarmos ainda mais fortes no cenário agro-exportador, mas poderíamos também buscar autonomia no setor tecnológico para virarmos referência na exportação de produtos com maior valor agregado, produzidos por empresas realmente brasileiras.

Resta saber quando daremos a guinada para seguirmos um caminho independente, rumo ao progresso.

Forte abraço.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Disputa presidencial e a tradição norte-americana

Parece mesmo que nesse mês de junho a alucinada disputa pela cadeira de candidato à presidência dos Estados Unidos chega ao fim. Apesar da senhora Clinton ainda não ter engolido totalmente sua derrota, parece que o partido Democrata move suas estruturas para promover agora uma total coesão. Vale lembrar que enquanto os democratas vinham se enfrentando, o candidato republicano John McCain assistia tudo de camarote e parecia se fortalecer dos podres que eram jogados na mídia entre os democratas.

Os Estados Unidos nos surpreendem mais uma vez tendo pela primeira vez um candidato negro a presidência. Se ele, ao final do ano, conseguir se eleger será a prova de que apesar de todo conservadorismo da população norte-americana algumas coisas parecem mudar. Apesar de ser novidade, penso que uma eventual mudança na presidência entre democratas e republicanos não provoque muitas mudanças no cenário internacional. Se pararmos para analisar o histórico dos presidentes estadunidenses do século XX veremos que mesmo intercalando entre democratas e republicanos por inúmeras vezes, a política internacional norte-americana sempre se voltou para o "América para os americanos" e a política do "Big Stick". Na verdade, o grande anseio do mundo é pela saída do atual presidente George "War" Bush. O mundo já não agüenta mais o excesso de agressividade e arrogância do atual "líder do planeta".

A esperança é de que tenhamos pela primeira vez um presidente negro, que seja menos agressivo quanto aos interesses geopolíticos norte-americanos. Acreditar que ele seria um novo "messias" para o mundo seria inocência demais de nossa parte. No campo econômico, por exemplo, os democratas geralmente são mais protecionistas que os republicanos e, desta forma, poderíamos ter mais dificuldades para inserir nossos produtos no mercado estadunidense.

Por fim, devemos lembrar que a tradição calvinista dos norte-americanos contribui para todo esse sentimento de superioridade. Eles se julgam superiores e os eventuais "protetores" do resto do mundo. São, na verdade, os "escolhidos" para comandar o planeta. Essa idéia está na origem de cada cidadão que nasce pelas bandas do "tio Sam".

Grande abraço.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Amazônia

O tema amazônia tem acarretado uma série de matérias na mídia e provocado inúmeros momentos de discussão pelos grupos à fora da internet. Tenho me mantido distante destes debates acalorados justamente porque nenhum de nós tem um parecer realmente válido para o assunto. É certo que o desmatamento aumenta cada vez mais, comprovando que são os próprios brasileiros que contribuem com maior parcela dessa degradação. De qualquer forma, não podemos esquecer que muita dessa pressão externa contra o desmatamento deveu-se justamente ao fato das grandes potências terem destruído suas próprias riquezas. Querem, sem sombra de dúvidas, manter a floresta de pé para guardar uma fonte de renda em um futuro próximo. Seria como um grande investimento a ser feito por esses países.

Defendo a idéia da soberania brasileira sobre o território amazônico. Mas não uma soberania disfarçada que existe atualmente. Bradamos contra a invasão extrangeira, mas deixamos que o agro negócio avance cada dia com mais intensidade sobre a Amazônia. Inúmeros aviões clandestinos sobrevoam o espaço aéreo da região e nenhuma medida é tomada de fato. Isso sem contar os graves fatos referentes a biopirataria, cada vez maior no país.

O Brasil deve se situar, sair do discurso teórico em congressos internacionais para o campo da prática. Além das forças armadas que já deveriam estar na região, a pesquisa deveria ser mais valorizada no país, apoiando incessantemente o estudo das mais variadas espécies da floresta. No entanto, deixamos um vácuo na região que sequer conhece o significado da palavra governo. Um vazio pronto para ser explorado por outros.

Enfim, vim para falar o óbvio. Mas, como em nosso país tudo termina em pizza e qualquer lei que se crie é barrada no primeiro suborno dos corredores burocráticos, fica difícil tentar mudar a situação.

Um desabafo! Comentários são sempre bem vindos, é claro!

domingo, 1 de junho de 2008

Novo recurso no blog ...

Para quem ainda não havia percebido na barra lateral do blog, mais um recurso está disponível para compartilharmos um maior número de notícias e análises de importantes estudiosos sobre o país e o mundo. Através dos tópicos totalmente pertinentes ao conteúdo do blog, o Críticas & Reflexões contribui mais uma vez com o acesso a informação e aos mais variados pontos de vista.

Quem se atentar aos tópicos atuais poderá ler opiniões expostas a respeito da soberania da Amazônica, a alta dos preços do petróleo, o retorno da CPMF e uma importante análise crítica sobre o papel do estado e suas atitudes.

Espero que gostem e opinem a respeito.

Um grande abraço.