quarta-feira, 23 de julho de 2008

Sociedade violenta: responder com mais violência?

A violência é tão grande, que parece ser a melhor solução responder com mais violência, na tentativa de reprimir a primeira. É sabido que a violência leva a mais violência. Casos horrendos que eventualmente ocorrem ligam o “pisca-pisca” de alguns, que já começam a vociferar soluções ainda mais horrendas. Por isso, levantei cinco “soluções” para a violência, e alguns argumentos dos dois lados, finalizando com a minha opinião sobre o conjunto destas “soluções”.

Maior repressão policial

A favor: os direitos das “pessoas de bem” são superiores aos direitos humanos dos criminosos. Os anseios da sociedade falam mais alto, portanto medidas mais duras devem ser tomadas. Como há uma guerra entre criminosos e sociedade, temos que ser duros para evitar a desmoralização da força policial e desfragmentar as organizações criminosas.

Contra: os direitos humanos de todos, inclusive os dos criminosos, devem ser mantidos, além do mais, endurecer o combate à violência pode gerar o contrário do que se espera, aumentando a violência. Em vez de se investir com violência contra o crime, seria melhor investir nos problemas sociais que o rodeiam.

Leis mais rigorosas

A favor: as sanções e punições devem ser mais duras aos autores dos crimes, para desestimular novos delitos. Deve ser permitido o isolamento de presas por tempo indeterminado, rever o indulto (permite que condenados tenham reg

ime semi-aberto em certos períodos), reduzir os recursos para simplificar o Judiciário.

Contra: em vez de rever as leis, deve-se acelerar o processo de modo a agilizar as leis já vigentes. Há leis, como a Lei dos Crimes Hediondos de 1990, que provam a ineficiência do endurecimento de leis mais rígidas. O Judiciário poderá ser simplificado se o andamento fosse mais acelerado, reduzindo os intervalos em que são julgados os re

cursos.

Exército nas ruas

A favor: o crime organizado desafia as polícias estaduais, provando que estas, sozinhas, são incapazes de resolver o problema. Só o exército nas ruas para conter a gravidade do problema. Pesquisa de 2006 no Datafolha mostra que 88% dos eleitores brasileiros apóiam intervenção militar.

Contra: a luta contra o crime será resultado de ações de inteligên

cia policial e não de força bruta. Militares são treinados para a guerra, e não para policiamento de ruas urbanas. Para eles, cabe resguardar as fronteiras e a segurança nacional. Além do mais, corrupção com o Exército levaria a distribuição de armamento pesado para os bandidos.

Redução da maioridade penal

A favor: adolescentes com 16 anos, por exemplo, já podem votar, portanto já poderiam, também, responder criminalmente pelos seus atos. Detenção serve para punir quem comete um delito, este é seu papel primordial, e não a tentativa de recuperar detentos, ainda mais de cidadãos que já possuem responsabilidades.

Contra: pessoas com até 18 anos estão em fase de formação, coloca-los em meio a adultos em presídios é facilitar o acesso destes jovens ao mundo do crime, por isso eles devem sofrer tratamento diferencial, de modo a impedir a permanência destes na criminalidade. Se a sociedade resignar a estes jovens, como educar novas gerações?

Pena de Morte

A favor: condenar à pena de morte inibe a prática de crimes, pois o criminoso verá que não será mais amaciado pelo atual sistema de detenção. É uma maneira de usar os criminosos de delitos graves como exemplo de punição para os demais.

Contra: nos países nos quais vigora a pena de morte, não há evidência de reduzir a criminalidade, além de um possível erro judicial que mate um inocente. Um delinqüente pode ser útil à sociedade de outras formas, justiça não se faz seguindo o “olho por olho, dente por dente”.

Expresse sua opinião nos comentários se você concorda ou discorda total ou parcialmente de cada uma das “soluções”. Eu, particularmente, sou contra todas, pelo menos em grande parte. Acho que a solução para criminalidade deve-se apoiar no tripé formado entre educação, inclusão social, condições de detenção. Educar é dar condições, conscientizar, formar cidadãos críticos. Educação é uma constante de qualquer solução para os problemas do país. Inclusão social é oferecer condições dignas para cada um, tirar pessoas da condição subumana, porque quem mora na favela não mora porque acha bonito, mora porque não possui recursos, é obrigado a viver num ambiente desumano, sem tratamento de esgoto, segurança ou mínima de qualidade de vida. Por condições de detenção incluem-se tanto prisões que não colocam quinze na mesma cela, e uma legislação que funciona, ágil.

Para isso, não é preciso prender jovens, bater ou torturar bandidos, matar, aumentar o rigor de leis que não funcionam, colocar militares na rua. Diminuir a criminalidade é mudar a cara da nossa sociedade, vem acompanhado com esta mudança é só será efetiva se a sociedade se alterar em conjunto.

Adriano Senkevics escreve para o Letras Despidas

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Férias

Chega o tempo do recesso escolar de Julho. Pode parecer bobagem, mas ficar alguns dias em casa permite que recuperemos as energias para o próximo semestre. Quando chegamos no mês de junho percebemos que parte da nossa energia do início se foi.

Voltar novo, ou pelo menos próximo disso, é o objetivo central para que mesmo diante dos paradoxos de nossa educação consigamos chegar o mais próximo possível de uma educação de qualidade. Tentar não custa, não é mesmo?

 

Em breve volto com mais notícias.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Rede particular forma mais de 70% dos professores

A última notícia do momento em relação a educação traz uma grande curiosidade para todos nós. Através dela temos o conhecimento que mais de 70% dos professores formados concluem sua graduação em instituições particulares. No entanto, o que mais chama a atenção nesta matéria diz respeito aos dizeres do nosso ministro da educação Fernando Haddad sobre o tema:

"[...]o grande problema é que a maioria desses professores atua em escolas públicas, comprometendo a qualidade do ensino."

Mais uma vez, caros amigos, o ministro insiste em dizer que uma das principais causas do péssimo nível do ensino público brasileiro tem relação com a formação do professor. Não serei hipócrita em discordar totalmente dessa informação. De fato, boa parte dos professores que concluem a graduação não tem as mínimas condições de lecionar na educação básica. Seja por falta de competência, seja por falta de conteúdo. Entretanto, posso afirmar-lhes que o problema da educação é muito mais complexo do que se pensa. São inúmeros agentes que poderiam trabalhar para uma melhor educação: Professores mais comprometidos, sociedade interessada no problema e, acima de tudo, um governo sério e competente com esta área tão estratégica para o país. Aliás, seriedade com educação é coisa rara nas últimas décadas. O que vemos hoje, como já reiterei por diversas vezes, é o mascaramento de resultados estatísticos com o intuito de fingir estarmos bem.

Só para terminar gostaria de dizer que mesmo os profissionais formados em universidades públicas também não são totalmente preparados para o ofício. Quando chegam na prática, percebem que irão utilizar pouco do que aprenderam ao longo do curso. Nas universidades públicas tem-se a preocupação em demasia com as áreas de pesquisa. Logo formam-se excelentes pesquisadores e estudiosos, mas em boa parte não possuem didática suficiente para interagir com uma camada da população cada vez mais carente de afeto e amparo sócio econômico.

Vamos parar de tentar achar um culpado para esse problema. Todos temos parcelas de culpa! Até mesmo a dona de casa que não investiga como vai seu filho na escola. A educação é dever de todos!

terça-feira, 8 de julho de 2008

FLAvelados ...

Olá amigos, apareço aqui repentinamente para abordar um assunto que me incomoda com certa freqüência. Trata-se da forma depreciativa que as torcidas brasileiras encontram para denegrir a imagem das torcidas rivais. Acho válido que grupos de torcedores façam campanha para o sucesso de seus times. Devem gritar, pular, levantar as mãos, etc. O problema é que em muitos casos a gozação sadia é substituída por agressões verbais, que destoam de todo evento magnífico que se configura em uma partida de futebol.

Recentemente presenciei, mais uma vez, torcedores dizendo que os flamenguistas eram um bando de favelados. Ora, meus amigos, será que ser favelado é algum defeito grave? Alguma anomalia física ou mental? Estão usando um problema grave da nossa sociedade como deboche.

Sinceramente acho que boa parte dos flamenguistas são favelados. Não digo isso para atacar o clube rubro-negro. Apenas expresso-me dessa forma pois, por se tratar de um clube com tamanha torcida no Brasil é natural que boa parte deles sejam de camada pobre. Dessa forma, uma ferida profunda no coração da sociedade brasileira, que é a desigualdade social, é tratada como chacota para atacar terceiros. Se fôssemos um país decente trabalharíamos em equipe pressionando o poder público e as mais variadas esferas da sociedade, na luta contra a desigualdade social e a gravíssima concentração de renda. Até porque diante da atual situação no Brasil, onde o custo de vida e as desigualdades aumentam significativamente, será cada vez mais natural a existência de torcedores dos inúmeros clubes brasileiros na pobreza.

Fica claro aqui que os rubro-negros também utilizam termos depreciativos em relação aos demais clubes, principalmente cariocas. Todavia, o exemplo acima tornou-se bastante pertinente ao artigo e por isso foi utilizado.

Acorda Brasil! Nosso país agoniza enquanto nós brasileiros nos afogamos em uma profunda ignorância.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Explicações: Mundo em Debate

Passo por aqui para explicar minha grande ausência no blog. Na verdade, não estou tendo muita inspiração para postar a respeito dos temas importantes de nosso país. Mas, este fator não se configura como principal. Em 2006 criei um grupo de discussão chamado MUNDO EM DEBATE. Criei-o com o intuito de discutir temas relevantes e também para aprender mais com outros usuários. A questão foi que nosso grupo jamais teve um grupo elevado de usuários realmente comprometidos em dividir opiniões e, desta forma, o MD acabou por se deixado sempre como segundo plano.

Todavia, desde o último mês, através do amigo Álvaro, novos membros foram incluídos no grupo. Estes por sua vez aumentaram significativamente o ritmo de postagens no grupo e desde então não tenho tido muito tempo para postar por aqui. No mês passado tivemos mais de 640 mensagens postadas demonstrado que o grupo vem aumentando sua importância.

Aproveito também para convidar os amigos que sempre me visitam. Seria muito importante a participação de todos vocês nessa fantástica ferramenta de difusão de idéias e temas relevantes.






Grupos do Google

MUNDO EM DEBATE
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