sábado, 30 de agosto de 2008

Até 2040

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE divulgou nesta última sexta-feira (29) os mais recentes dados referentes ao quadro demográfico brasileiro. De acordo com a pesquisa estamos atualmente em 189,6 milhões de habitantes, tendo como principais aglomerações São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, assim sucessivamente.

O que mais chamou atenção na pesquisa diz respeito ao crescimento vegetativo da população que segundo analistas parará de crescer em 30 anos. Em 2040 teremos uma população próxima dos 220 milhões, mantendo uma taxa de crescimento semelhante ao que a Europa já sente há uma década.

Nosso país, classificado como subdesenvolvido industrializado, continua a passar pelos mesmos processos de "desenvolvimento" que os países desenvolvidos. Mesmo que de forma tardia. Atualmente, se analisarmos apenas a classe média, veremos que já possuímos índices bem próximos dos países europeus. Entretanto, quando a análise se faz pelas camadas mais baixas percebemos um índice de natalidade ainda acima do normal. Muito se afirmou que a falta de acesso a informação e educação poderíam ser as causas para dados tão críticos. São inúmeras adolescentes que se juntam a cada dia ao rol das mães, geralmente solteiras.

Acesso a informação todos possuem, até porque a televisão consegue alcançar nos dias de hoje um grande número de pessoas pelo país. Credito esta realidade não só à ausência de uma educação de qualidade, mas também a total falta de uma política que estruture a vida dos cidadãos brasileiros. Não existe em nosso país medidas práticas que viabilizem a inserção do jovem na cidadania. Ou seja, a grande maioria dos brasileiros que estão nascendo crescem sem total perspectiva de vida. Esse fator contribue para que o jovem possua a idéia de que a vida dele é o agora, não existindo futuro próximo ou longínquo.

O crescimento sem perspectivas contribui para que o indivíduo se sujeite a experiências sem pensamento prévio das conseqüências. Logo, um variado número de jovens se perde vida à fora devido a atitudes inconseqüentes. A análise é superficial, mas certamente não é excessão à realidade.

Ao lecionar em uma escola pública percebo como a maioria de nossos alunos crescem desiludidos, conformados de que a melhora social dificilmente virá. Presas fáceis para o tráfico e todo crime organizado.

Transformo esse espaço então em uma oportunidade de discutirmos o tema com maior profundidade utilizando o recurso dos "comentários". Estão liberados para escrever tudo que possa contribuir para a discussão do tema.

Grande abraço.

sábado, 23 de agosto de 2008

Sistema de Exclusão

Há pouco tempo conversei com um colega que teve a oportunidade de ir à Israel num programa de graduação. Passou um mês lá, conhecendo centros de pesquisa e pontos turísticos, ao lado de outros estudantes do mundo todo, a maioria norte-americanos. Meu colega, que está no primeiro ano de biologia da Universidade de São Paulo (USP), me contou certos fatos que me fizeram pensar sobre a educação brasileira.

Primeiro, ele era o único aluno de graduação, pois todos os outros estavam no ensino médio. Ele desconhecia todas as técnicas utilizadas nos laboratórios, enquanto muitos outros já conheciam. Havia gente que trocou de turma porque já conhecia tudo.

Aqui no Brasil, o aluno só conhece o trabalho da sua profissão de escolha quando faz um estágio, porque no colégio ele não terá com atividades profissionais. Além do mais, o aluno passa pelo ensino médio objetivando apenas passar no vestibular.

Aqui, o foco é o vestibular. A escolha dos alunos que vão para o ensino superior se baseia apenas numa prova. Sentou, resolveu, acabou. Mas, é lógico, não haveria de ser outra maneira, pois o contingente é tão grande em relação às vagas que só um sistema rápido e eficaz quanto o vestibular poderia dar conta. Infelizmente é esta a realidade.

O problema é esta situação de ensino superior escasso, pelo menos em qualidade, forçando métodos bem diretos de selecionar candidatos, mudando a mentalidade do ensino médio. Esse deixa de ser uma fase importante de aprendizado e se torna um cursinho com diploma, pois apenas ensina teorias para a prova no fim do ano. Não há aprendizado prático.

Tampouco há garantia de uma faculdade. O estudante deixar de ter contato com diversas áreas e diversas formas de conhecimento para se bitolar num sistema que o excluirá mais tarde. Deixa-se de se aprender para garantir uma vaga, se é que se conseguirá.

Eu falo porque passei por isso. Hoje, já na faculdade, percebo que o meu ensino médio foi patético, foi uma ponte pro vestibular e nada mais. Quer dizer, o único momento que tive contato com história, geografia, português e outras matérias importantes que não tenho mais foi apenas vendo mapas em apostilas, respondendo múltiplas-escolhas e decorando momentos históricos e autores lusitanos e nacionais.

No entanto, há uma coisa que não se corrompe: a redação. O mau desempenho nacional neste quesito mostra as falhas desse sistema. Porque na redação o estudante deve partir do zero, e não de fórmulas ou caminhos de raciocínio memorizados. E na hora de pensar criticamente, articular conhecimentos, construir argumentação, nota-se a falha disto. O que seria mais importante para o país? Talvez esteja na hora de mudarmos o conceito que temos da educação de qualidade que tanto almejamos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Manutenção da supremacia ...

A ONU - Organização das Nações Unidas foi criada com o intuito de regulamentar questões internacionais. Dessa forma o mundo correria menos riscos de possíveis novos conflitos, dessa vez mais destrutivos do que os anteriores. No entanto, à alguns países foram concedidos o poder de veto à questões que julgassem desnecessárias ou contra seus interesses. Todo esse esquema foi montado, na verdade, com o objetivo de assegurar a supremacia de potências sobre os pobres. Ou seja, a ONU pode aplicar sanções contra os países e de uma certa forma obrigá-los a seguir determinadas regulamentações. Mas às potências fica reservado a possibilidade de não obedecer qualquer regulamentação através do veto.

Esse breve texto justifica os últimos acontecimentos referentes aos Estados Unidos e Rússia. O Iraque sofreu intervenção norte-americana sob justificativa de contribuição ao terror. Nada foi encontrado. A ONU foi contra a intervenção (foi mesmo, ou tudo não passava de jogo político?), e os Estados Unidos simplesmente não respeitaram. Agora, mais recentemente, o conselho de segurança da ONU adotou uma resolução solicitando a retirada imediata das tropas russas na Geórgia. O veto russo mesmo ainda não tendo acontecido é dado como certo.

Continuamos vivendo fingindo que todos tem os mesmos direitos e deveres. Ai de nós se não fizermos o que nossos patrões mandarem!

Grande abraço.

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Ítalo de Paula Pinto
http://criticasereflexoes.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cinismo aguçado ...

Sobre o conflito na Ossétia do Sul entre a Geórgia e a Rússia, o presidente estadunidense George W. Bush afirmou que a Rússia respondeu de forma "desproporcional" na região. Como se o país do nosso "amigo" acima já não tivesse o costume de utilizar a desproporcionalidade como ferramenta em suas últimas incursões pelo mundo.

Fica claro que o interesse pela região diz respeito aos fatores econômicos ligados ao transporte de gás e petróleo no Cáucaso. Ali, para que tudo fique esclarecido, não existe um conflito de vilões ou mocinhos. Todos são cruéis e pensam única e exclusivamente nos possíveis lucros.

Já não é de hoje que o bem da população é colocado em segundo plano. Não sejamos tolos.

sábado, 9 de agosto de 2008

Mais uma central clandestina de TV à cabo descoberta em Barra Mansa

Até parece que não conhecemos essa história. Os policiais chegam no local, recolhem todo material clandestino e ninguém é encontrado. Como se não soubéssemos que as centrais de Gatonet só funcionam até hoje porque estão acobertadas por muitos que deveriam estar zelando pela legalidade na cidade.

Se fôssemos um país realmente sério não só esses bandidos estariam pagando por tal crime, mas cada indivíduo que tem a coragem de colocar uma TV clandestina em casa. O dia que o cidadão começar a ter que arcar de verdade com o peso da lei, se é que ela existe, não teremos mais problemas com esses tipos de assunto.

O problema é que todo mundo finge que não está acontecendo nada. Continua sendo bonito burlar, roubar e se aproveitar dos outros em nosso país. Se esperto é o indivíduo que pratica tais delitos prefiro então continuar-me como uma besta.

Abraços.

Os ateus são mais inteligentes

Sinalizando minha volta ao blog gostaria de compartilhar com todos vocês uma matéria um tanto curiosa, que saiu na revista Época. Trata-se do cientista Richard Lynn que dedicou boa parte da sua vida a estudos referentes a inteligência humana. Ele afirma dentre outras coisas que as pessoas de Qi´s maiores são mais propensas a questionar a religião e, desta forma, seguirem o ateísmo.

De volta ao blog ...

Olá meus amigos. Durante alguns dias eu meio que abandonei esse espaço para dar mais atenção ao grupo de discussão que faço parte. O Mundo em Debate ganhou novos membros assíduos e, desta forma, ocupava cada vez mais espaço do meu dia. Muitas coisas se passaram desde então. As olimpíadas começaram, o Brasil tomou "tinta" na Rodada de Doha e o dólar, aliado aos preços das commodities, parecem fazer menos pressão sobre as nossas vidas do que dias atrás.

Tive alguns problemas de relação no grupo de debate e parece-me que meus dizeres não agradaram algumas pessoas. Por isso, prometo estar mais vezes aqui no blog mantendo meus já conhecidos textos. Em muitas ocasiões tenho um pouco de dificuldade de manter contato com as pessoas, e nada melhor que esse espaço para ser meu grande companheiro. Afinal ele serve como uma espécie de psicólogo para meus problemas do dia-a-dia.


Volto em breve.