Após um espaço de tempo considerável sem blogar volto aqui para fazer alguns comentários acerca da atual crise, e compartilhar com todos a divulgação de alguns dados muito interessantes que ligam a última eleição municipal à investimentos em educação e saúde.
Inicialmente, podemos dizer que depois de uma semana extremamente turbulenta como a última, os mercados parecem ter conseguido um momento de relativa tranqüilidade. O pacote europeu de resgate de bancos e da liquidez de crédito parece ter dado um senso de liderança na crise. Tudo isso causa certa calma entre os investidores que voltam a animar os índices das principais bolsas de valores pelo mundo. Vale lembrar que os índices das bolsas são movidos, principalmente, pela especulação. Logo, não podemos nos animar com apenas dois dias de altas na bolsas. Tudo vai depender de como os governos mundiais agirão daqui para frente.
Assim como os principais meios de comunicação salientaram é no mínimo curioso ver países, que são berços da economia de mercado, estatizando instituições financeiras justamente para que a crise não comece a diminuir o ritmo de investimentos no setor produtivo mundial. A luta agora é para que a crise financeira não passe efetivamente para economia real.
Mas, deixemos a crise para os demais analistas de plantão. Venho aqui também para compartilhar uma pesquisa bastante interessante. Nela, foi constatado que dos 37 municípios considerados como melhores em educação, em apenas 16 o prefeito conseguiu se reeleger. Tudo bem que as cidades foram selecionadas através dos melhores índices do IDEB, que para mim não são claros e podem mascarar a realidade. Mas a pesquisa em si mostra que de fato investir em educação ou saúde não aumenta a popularidade de um candidato como obras de infra-estrutura, por exemplo. O asfalto na rua muitas vezes é mais importante do que uma educação de qualidade para nossas crianças.
Fazendo uma generalização as coisas funcionam assim em nosso país. Principalmente porque boa parte de quem freqüenta a educação pública são aqueles de menor poder aquisitivo e por isso menos suscetíveis a reflexões dessa natureza. Não quero aqui dizer que pobre é burro, longe disso. Estou dizendo que as pessoas de menor poder aquisitivo geralmente possuem um nível educacional inferior aos de classes mais altas. Isso é fato. E estratégico também, caso contrário quem seria massa de manobra nesse país? Logo, o concreto atrai mais votos do que o subjetivo e abstrato. Simplificando a expressão, eu consigo ver que minha rua ficou asfaltada, mas é difícil para grande maioria analisar índices que comprovam a melhora nos setores em questão.