Como professor de geografia a análise do Índice de Desenvolvimento Humano torna-se extremamente necessário para o entendimento das reais condições sócio-econômicas dos principais países do globo. Tal índice é o mais utilizado nos últimos anos e faz uma coletânea de indicadores sociais e econômicos, buscando a eficácia na aproximação com a realidade.
Todavia, de acordo com os dados de 2006, última análise divulgada do IDH, o Brasil teve relativa melhoria de suas condições. Ainda se mantém na septuagésima posição. Paira no ar a dúvida, pois o carro chefe do aumento de qualidade brasileira teve origem justamente na educação do país. Segundo analistas houve aumento no número de crianças matriculadas e na conclusão do ensino fundamental. Tudo isso comprova que mesmo sendo o mais próximo da realidade, tal índice ainda está longe de demonstrar o que ocorre em cada país. Isso porque existem peculiaridades a serem analisadas.
No caso do Brasil, ainda estamos preocupados com aspectos quantitativos. Número de matriculados, quantidade de aprovados, alunos que concluíram o ensino fundamental e médio. E a qualidade disso tudo? Nós professores somos pressionados descaradamente para que aprovemos o maior número possível de alunos. Quanto mais aprovarmos, mais engordamos a "lista de sucesso educacional" do país. Logo, as verbas aumentam. Essa lógica parece condizente com a realidade do político que quer saber mesmo de manter o status quo. Agora, me irrita saber que estudiosos em educação colaboram para difundir idéias maravilhosas de que o número disso ou daquilo tem aumentado.
Chega de hipocrisia! Não adianta quantidade! Estamos aprovando analfabetos funcionais que pouco saberão andar com suas próprias pernas. Estamos formando um país de incompetentes! A sensação de impotência é enorme quando vemos que a sociedade, maior interessada na melhoria, pouco sabe ou quer saber da realidade. Não se esqueçam que formando da maneira como estamos fazendo, contribuiremos para o caos maior no futuro. Lembre-se que você pode ser morto amanhã por uma vítima de nosso sistema educacional falido.