Acabo de ler o texto da psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano. Seus escritos tratam do projeto do Estado de São Paulo em desenvolver um curso de formação para professores recém chegados ao magistério público.
A proposta de treinar os profissionais para que lecionem de modo mais adequado parece, sob minha perspectiva, uma ideia bastante interessante. Afinal, não é de hoje que presencio professores já totalmente descomprometidos com o exercício da profissão.
Só fico curioso a respeito da forma como algumas ideias são colocadas. Vocês poderão contar com o texto na íntegra, mas sinto-me no dever de colocar alguns trechos interessantes. No parágrafo “Alguns vão lembrar que não há condições de os professores darem aulas com o salário e os alunos que têm. Isso não deixa de ser verdade. Há muita coisa a ser feita em relação a essa categoria na área pública. Mas argumentos assim não podem e não devem ser usados para justificar o baixo nível de ensino que se tem encontrado”, a autora demonstra total desconhecimento da realidade. Como tais argumentos não podem ser usados como justificativa? Fazendo tal afirmação, a autora colabora com a ideia de que o principal fator do baixo rendimento refere-se ao trabalho do professor. Com o baixíssimo nível discente fica quase impossível determinar rumos mais proveitosos em sala de aula. Veja, não é de hoje que venho compartilhando a realidade com vocês, mostrando que os alunos analfabetos estão aos montes em séries avançadas na educação pública.
Em muitas ocasiões o aprofundamento de conteúdo que procuro fazer torna-se inviável. A superficialidade passa a ser fundamental para que ao menos um pouco da atenção seja recebida.
Ainda como crítica, o parágrafo “Mesmo se considerando as dificuldades encontradas pelos docentes, a busca para ser professor da rede pública continua. Poucos se intimidam com essa situação ou deixam esse emprego para buscarem outras oportunidades, como dar aulas na rede particular. Lá, a história é outra. Há cobranças e o emprego não é garantido – tem que lutar por ele, para consegui-lo e mantê-lo. Não à toa a qualidade das instituições particulares é melhor. Bem diferente do emprego público.”, a autora comete mais um erro absurdo. A grande maioria dos professores da rede particular, também está na rede pública. Na grande maioria das vezes os mesmos conteúdos são desenvolvidos, mas como o público é diferente os resultados tendem a ser evidentemente diferentes. Os alunos da rede particular tem pais mais zelosos pelos estudos do filho. O bolso pesa mensalmente. A direção de tais escolas são mais organizadas e o sucesso em vestibulares vira propaganda para novos alunos nos anos posteriores. No final, a atuação do professor é minimamente diferente no público e privado. São inúmeros colegas de trabalho que lecionam nos dois setores e que se queixam de não conseguir desenvolver o mesmo trabalho na pública, por omissão dos pais e total paternalismo do estado, aliado a instituições que colaboram para amenizar os graves delitos cometidos por inúmeros jovens.
Por fim, torna-se extremamente importante salientar a constante tentativa de justificar os péssimos índices educacionais públicos, classificando a classe como um todo como incompetentes. Se quisessem melhorar a educação de fato não fariam através de políticas isoladas. Rios de dinheiro estariam sendo investidos em educação em vez de estarem indo para paraísos fiscais ou para compra de luxuosos bens. O problema da educação no Brasil é de fácil solução. Basta vontade, dinheiro e menos corrupção.