Dois acontecimentos chamaram bastante minha atenção nas últimas semanas. O primeiro, incentivou a criação dessa enquete ao lado. A absolvição de José Sarney colaborou para provar o que vem se transformando em bordão ao longo dos anos em nosso país. “Político é tudo ladrão”. Não sei se poderia ser diferente, uma vez que somos caracterizados pelos “jeitinhos”.
Diante de tantas acusações, um dos mais poderosos coronéis do nordeste, conseguiu sair impune sem qualquer arranhão ao seu mandato. Apesar dos poucos votos na enquete, o resultado esmagador contrário a absolvição demonstra que o povo brasileiro, em nada concorda com a decisão do tal conselho de “ética”. Infelizmente também temos de salientar que a discordância de eventos como esse são feitos em geral porque é politicamente correto. O que quero dizer com isso? Muitos são contrários a decisão porque simplesmente a maioria assim o faz.
Ficamos só nisso. Restringimo-nos a comentar o evento com os mais próximos, manifestar a indignação e, logo, mudar o assunto. Meus amigos, é assim que fazemos há décadas nesse Brasil. Talvez porque não tenhamos condições de retaliar imediatamente. Quando a oportunidade nos aparece, através das eleições, tais políticos são beneficiados pela ausência de memória, cidadania e respeito próprio do povo brasileiro. Diante da ignorância generalizada, fruto de um país que ignora a educação, vemos os mesmos transgressores da ética e da honestidade novamente no poder.
Também ligado à questão acima, temos o caso do reajuste salarial dos professores do Estado do Rio de Janeiro. Anunciado a todos os cantos como aumento de mais de quatrocentos reais, deparamo-nos com uma forma pífia de sucatear ainda mais os profissionais do magistério. Pela proposta, tal valor será incluído ao salário do professor ao longo de seis longos anos. Além disso, a redução da diferença entre os níveis de 12% para 7,5%. Medidas como essas comprovam que os professores são tratados como a escória da população. População que já trata há tempos o magistério como sub-profissão.
Temos aí dois casos distintos que se unem. O primeiro ocorre com frequência pela ausência do segundo. Vemos que o círculo vicioso é cuidadosamente articulado para que o “status quo” se mantenha.