Hoje, pela manhã, comentei no twitter que o Brasil necessita prioritariamente de uma REVOLUÇÃO na educação. É fato que o Brasil, mesmo diante da melhora em relação a anos anteriores, investe pouquíssimo na educação básica. A sensação em muitas escolas é que estas instituições se tornaram depósitos de pobres. São iludidos a pensar que estão se desenvolvendo e crescendo intelectualmente. E, mesmo que isso aconteça com uma minoria, a realidade da maioria que estuda em escola pública é o abandono e a sensação de que o futuro deles já está determinado e relacionado a tudo de ruim que podemos imaginar.
Um amigo, via Buzz, escreveu algo que serviu realmente como um tapa de luva para o que eu havia afirmado: Virou bordão: Brasil precisa de uma revolução na educação! Mas, ninguém diz como será feita esta revolução. Gostaria de saber em detalhes rs. E realmente, se pararmos para pensar bem, adoramos fazer a crítica mas não propomos soluções para esses problemas.
Não tenho a pretensão de promover qualquer revolução. Afinal, isso é algo que é fruto do trabalho e da reflexão de todos. No entanto, resolvi enumerar alguns dos problemas claros que vejo na educação atual e que se sanados poderiam amenizar os problemas.
- Carga Horária x Salário: Há alguns dias atrás um amigo comentou que o professor ganha mal, mas tem duas férias no ano. Averiguava se realmente valia a pena. Eu, particularmente pensando a nível da minha realidade no Sul Fluminense, não vejo o professor ganhando tão mal. Acho que em alguns casos a profissão é até mesmo atrativa. No entanto, para que o professor consiga produzir uma remuneração mais elevada ele acaba tendo que apelar para uma elevada carga horária. O problema reside nesse aspecto. O professor deveria ganhar bem tendo poucas aulas, visando um trabalho mais consistente e a inserção em programas de formação continuada quando fora de sala. Afinal, estamos lidando com seres humanos que possuem suas particularidades. Pagar bem o profissional mantendo-o com poucas turmas obrigaria o poder público a contratar mais professores e ter mais gastos. Será que se habilitam?
- Omissão da sociedade: Não devemos esperar dos menos favorecidos a luta por uma educação de qualidade. Vítimas de décadas de descaso, a alienação que lhes é peculiar nos os permite vislumbrar o que uma educação de qualidade os proporcionaria. A classe média que teria meios e condições de exigir tal melhoria, prefere abdicar de seu DIREITO e colocar seus filhos em instituições particulares. Quando aquele que tem condições retira o seu filho da escola pública deixamos essas instituições para aqueles que não sabem como exigir. O governo fica descompromissado de melhorar DE VERDADE a educação.
- Bolsa Família e rendimento: O Bolsa Família é alvo de elogios e críticas no Brasil. Para muitos um programa excelente de distribuição de renda, mas para outros uma política assistencialista que visa apenas a obtenção de votos. No entanto, um dos grandes problemas do programa que passa despercebido para maioria das pessoas, é que tal renda é vinculada ao índice de frequência dos alunos. O Bolsa Família poderia ser vinculado não apenas a frequência mas também ao rendimento. Assim, muitos pais sentiriam-se na obrigação de colocar seus filhos para estudar ou buscar soluções para o baixo rendimento, uma vez que perderiam o benefício devido o problema. Atualmente, é comum encontrarmos pais que não ligam para o rendimento mas se atentam para que seu filho esteja sempre na escola.
- Estrutura das Escolas: É bem verdade que as escolas de hoje não atraem o interesse dos alunos pelos estudos. São frias, sérias e tradicionais. O investimento pesado em recursos, muitos ligados à tecnologia, além da formação do professor, traria a possibilidade de aulas mais dinâmicas. Muitas escolas já possuem internet banda larga, data shows e etc. Mas o número insuficiente dificulta o planejamento dos professores para utilização de tais recursos. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, assistimos a instalação de dois aparelhos de ar condicionado por sala, mas sofremos com a disputa entre os professores pela utilização dos recursos tecnológicos disponíveis.
- Aumento da responsabilidade dos pais: Uma das grandes queixas das instituições educacionais diz respeito ao desleixo dos pais e responsáveis para com a formação de seus filhos. É fato que a escola, que já não tem a devida estrutura, pouco poderá fazer enquanto as crianças não contarem com suporte em casa. Nessa perspectiva, o governo precisa encontrar mecanismos para induzir a maior participação dos responsáveis na vida escolar de seus filhos. Mesmo que haja pena para descumprimento. Afinal de contas, o abandono intelectual não pode se restringir àqueles que deixam de matricular seus filhos, mas também para aqueles que matriculam e esquecem suas crias na escola.
Enumerei cinco questões que julguei cruciais para melhoria efetiva da educação. Evidente que esses problemas estão interligados e são apenas a ponta do iceberg. São inúmeros os problemas da educação que dão margem para uma discussão longa sobre o assunto. Todavia, investimentos pesados são necessários. Algo muito diferente de tudo que já vimos até hoje. Mesmo que muitos do governo afirmem que nunca se investiu tanto em educação como no atual mandato, temos de lembrar que qualquer melhora ocorrida foi insuficiente para reverter ou mesmo amenizar o quadro de abandono em que se encontra o setor.
Uma pena que um tema tão importante seja vítima da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Num mundo de sonhos seria ideal que os dois partidos vislumbrassem a ideia de que a educação é a chave, e que sem ela o Brasil não vai pra frente.
Professor, falou muito do que realmente precisa melhorar na educação brasileira. E de forma fácil de compreender, pois todos já presenciamos ou passamos por situações parecidas.
ResponderExcluirExcelente texto! Parabéns!
Vinicius Cabral
Concordo em muito com suas ideias sobre o assunto. Mas, acho que a revolução deve começar por a educação no seio da familia, celula mater da sociedade. O respeito foi destruido dentro da familia e sem que seja restabelecido não tenho esperança que a escola consiga resolver este problema.
ResponderExcluirVinícius,
ResponderExcluirEu tinha me esquecido de adicionar o História Zine na lista dos meus preferidos. Tomei a liberdade, inclusive, de inseri-lo na lista dos blogs que recomendo por aqui.
Quanto ao artigo, fico feliz que tenha realmente gostado do que escrevi. Sinta-se a vontade para expor o que acha sobre a nossa atual educação no sentido de promovermos um debate sobre o tema. Educação não é assunto para professores apenas, é assunto para toda sociedade, não concorda?
Joel, concordo com você. A estrutura familiar não existe mais. Por isso proponho a adoção de medidas ou mecanismos que obriguem a participação efetiva e diária dos pais na educação. Se não forem por vontade, terão de ir por obrigação.
ResponderExcluirConcordo sim, professor! (tô comentando com meu perfil pq tô com preguiça de logar com o HistóriaZine! rsrs)
ResponderExcluirEu estou com vontade de reunir um pessoal para debater algumas questões educacionais, e acho que a web é o melhor lugar prá isso. Talvez a gente possa pensar uma forma de reunir um pessoal e levantar essa discussão, talvez criar um fórum (orkut não, por favor!)... ou até mesmo, se possível, promover um encontro do sul do estado ou o Vale do Paraíba (inclusive com o pessoal de São Paulo). Sei que é complicado, mas pode acontecer!
Quanto ao link, obrigado. Esses dias eu vou colocar no ar uma página só com links e seu blog já está lá... só não publiquei a página porque ainda estou reunindo alguns sites a mais.
Abraço!
Vinicius Cabral
ps.: concordo plenamente com o comentário do Joel!
A coesão dos profissionais da educação já é um passo. Discutir de forma reflexiva e atuante. Saindo um pouco do viés dos sindicatos.
ResponderExcluirUma sugestão seria criar um Grupo de discussão no Google Groups, uma vez que também não suporto o Orkut. Uma outra seria uma página no Facebook que é bem dinâmica e permite a interação que desejamos. Bom, se quiser é só dar um toque.
Ítalo, eu acrescentaria mais um problema: o papel da universidade na formação do professor. O tema é pouquíssimo discutido. Além do desequilíbrio entre remuneração e carga horária, a má formação do corpo docente é um dado a se considerar. Quem forma esses professores? É a universidade. E não tenho constrangimento de dizer isso... na verdade é um "mea culpa", apesar de pertencer ao ensino superior há apenas 4 anos. Quando eu lecionava na Universidade Federal de Viçosa (MG) como professor substituto a instituição realizou uma pesquisa sobre a percepção dos alunos sobre seus cursos e, veja só: com relação à pergunta "você se sente muito exigido em seu curso de graduação?", a maioria esmagadora dos estudantes das licenciaturas respondeu "não". O que é uma grande verdade. Aliás, com relação à solidez, nem se compara a formação que eu tive com a que meus mestres na faculdade tiveram. E a coisa só piorou de lá para cá. Os alunos até estranham quando pegam matérias comigo, porque eu sou exigente com as leituras, com a qualidade de escrita e conteúdo dos trabalhos, etc. Tem colega meu aí que nem presença cobra e o aluno se forma professor como se estivesse num curso à distância: não assiste uma aula sequer, mas entrega os trabalhos, faz a prova e passa para o semestre seguinte tal como aquele aluno que frequentou todas as aulas, que participou das discussões, que procura os professores em outros horários para trocar idéias e aprofundar conceitos. Se continuar assim, a universidade continuará fabricando um professorado de baixo nível e que jamais será valorizado, seja socialmente quanto financeiramente. Enfim, um desabafo de quem tem visto nas licenciaturas uma cultura que repercutirá negativamente nas salas de aula das escolas públicas... Abraço.
ResponderExcluirAlém da má formação nas universidades, fato que pude constatar pessoalmente, certa vez me deparei com uma matéria que afirmava que eram os piores alunos que escolhiam as licenciaturas. À primeira vista soou-me uma agressão ao meu afinco e disposição em ser um bom professor. Após uma segunda análise realmente constatei que boa parte daqueles que conhecia na licenciatura não tinham as mínimas condições para ser um professor de qualidade.
ResponderExcluirVerdadeiros professores se tornaram realidade nas escolas de hoje.
Apenas para corrigir um erro, na última frase quis dizer que "Verdadeiros professores se tornaram RARIDADE nas escolas de hoje".
ResponderExcluirProfessor,
ResponderExcluirÉ triste ver a educação, o bem mais precioso dos dias atuais, como algo que não é levado a sério pela maioria da população e pelos políticos.
Em tempos de campanha eleitoral todos os candidatos citam a educação como prioridade, porém quando são eleitos... já sabemos o que acontece; ela é esquecida.
Se todos lutassem em prol de melhorias na qualidade da educação do nosso país, com certeza a nossa realidade seria diferente.
Abraço,
Pablo Simões
Valeu Pablo pela contribuição. Bom saber que temos alunos como você que fazem o exercício do magistério valer a pena.
ResponderExcluirabraços.