domingo, 25 de julho de 2010

Entulho nas margens do rio Bananal

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As matas ciliares há tempos foram destruídas pelo processo de urbanização. As construções irregulares tomaram todo e qualquer espaço, que antes era prioridade para o equilíbrio hidrológico dos rios. A aglomeração populacional dificulta a reversão desse processo. Mesmo assim, o que não entra facilmente na minha cabeça é que ainda tenhamos “cidadãos”, se é que podemos chamar assim, que despejam restos de material de construção na margem de um rio. Ou seja, simplesmente executam as obras e o que resta é jogado de qualquer jeito.

Interessante é saber que hoje em dia existam serviços que resolvem esse problema, como a contratação de caçambas para remoção do entulho. O problema é que esses serviços em muitos lugares pode ser cobrado e, por isso, colabora para que os pseudo-cidadãos se desfaçam de seu lixo em qualquer lugar. Sem a devida fiscalização da prefeitura, esses indivíduos continuam a praticar atos sem se preocupar com a qualidade de vida do restante dos moradores.

Além de colaborar para uma possível contaminação dos solos, aumenta a possibilidade de assoreamento do rio. Não menos importante, deixa a paisagem menos agradável de ser vista. Seria somente a sensação de impunidade que encoraja a prática desse ato? Ou talvez a existência de indivíduos cujo ego se sobrepõe a qualquer tipo de anseio em favor de um bem comum?

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pobreza e desigualdade

O Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA, divulgou hoje estudos que traçam a comparação do nível de pobreza absoluta, de pobreza extrema e de desigualdade de renda no país.

O IPEA e o IBGE classificam como pobreza absoluta as famílias que possuem renda por pessoa de até meio salário mínimo. As famílias de renda por pessoa de até um quarto de salário mínimo são considerados como de pobreza extrema.

A estabilidade financeira e monetária conquistada no governo FHC, aliado à políticas sociais ampliadas pelo governo LULA foram apontadas como as responsáveis pela melhora nos índices. É relevante salientar que foi válido para o Brasil possuir dois governos, excluindo as divergências, que conseguiram seguir um caminho parecido.

Todavia, quando analisamos os índices de desigualdade de renda percebemos que, mesmo diante de uma significativa melhora, é visível que ainda há uma diferença gritante entre pobres e ricos no Brasil. É preciso quebrar o círculo vicioso que mantém essa disparidade.

A educação parece ser ainda um dos caminhos mais coerentes a se seguir. Porém, precisaríamos de uma escola pública renovada, que fosse capaz de formar não apenas um cidadão, mas um indivíduo pronto para enfrentar um mercado de trabalho voraz e injusto. A escola pública de hoje tem feito o contrário. Tem se tornado um depósito de pobres, mantendo-os ocupados por algumas horas do dia. Além disso, manipula taxas de aprovação, atuando como ferramenta perfeita para demagogia política.

Uma verdadeira escola pública deveria contar com a participação dos pais e o apoio do judiciário quanto as questões de indisciplina e violência. Afinal, não há como existir um ambiente propício ao estudo se baderneiros fazem o que bem entendem nas instituições.

Não há como diminuir as disparidades entre ricos e pobres, se apenas os ricos podem verdadeiramente estudar.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Você sabe o que é IDEB?

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP. Através desse índice uma escala de zero a dez foi criada para analisar as condições da educação básica em todo Brasil.

O Ministério da Educação – MEC, traçou metas de desempenho até 2022 visando a obtenção de um parâmetro norteador, da evolução educacional no Brasil. O IDEB é calculado a partir da junção de dois dados básicos: O índice de aprovação, através do Censo Escolar, e as notas dos alunos na Prova Brasil (municípios) e SAEB (estados e nacional). 

Os cálculos são feitos bianualmente tendo iniciado a primeira medição em 2005. Após a primeira análise, já houve mais duas medições, em 2007 e 2009.

Todavia, fica evidente a necessidade de uma análise crítica a respeito do índice.

Ensino Fundamental – Anos finais
2005 2007 2009
3,5 3,8 4,0

Ensino Médio
2005 2007 2009
3,4 3,5 3,6

O IDEB vendo sendo questionado pelo fato de utilizar, como base para cálculo, os índices de rendimento de cada instituição. Ou seja, uma das referências para o cálculo reside nas taxas de aprovação. Essa taxa é altamente questionável, uma vez que é frequente a constatação de que os professores são induzidos, senão coagidos, a aprovar um número satisfatório de alunos. Mesmo que estes não tenham os requisitos básicos para promoção.

Como profissional já tive o desprazer de ser abordado por orientadoras que, de maneira hipócrita, questionam meu método de trabalho, sem sequer ter presenciado uma aula. Buscam no profissional a culpa pelo baixo rendimento, sabendo que na verdade são os alunos que, por um apanhado de fatores, não estão se dando ao trabalho de estudar.

Fica a esperança de que cada vez mais as taxas de aprovação sejam confrontadas com os resultados em provas oficiais (Prova Brasil, SAEB, ENEM, etc.). É preciso que a sociedade saiba que aprovação na casa de 70% ou 80% em uma instituição, nem sempre significa que os alunos estão conseguindo se dar bem com os estudos. É bem provável que tudo não passe de manipulação estatística.

O IDEB está longe de ser o ideal mas representa o início de uma possível mudança. Torna-se necessário a interpretação assídua dos dados, pelos mais variados setores da sociedade. Uma população antenada e crítica terá mais condições de exigir uma educação de qualidade.
Fontes:

sábado, 3 de julho de 2010

A importância desse momento

Em maio escrevi o texto Dois eventos, duas posturas onde falava da diferença de atenção dada pelo brasileiro aos dois grandes eventos de 2010 . A Copa do Mundo e as Eleições nacionais sempre ocorrem no mesmo ano. Estratégia ou não, temos de aproveitar esse momento de eliminação da seleção brasileira, para concedermos a devida atenção ao momento mais importante para o Brasil. 

Talvez como uma das poucas fontes de alegria do povo brasileiro, a seleção brasileira assumiu a imagem de redentora de uma nação. É vista como aquela que pode difundir a imagem de um Brasil forte e competente. Todavia, precisamos lembrar que nosso país precisa ainda mais de sua população, quando o que está em jogo é a melhoria de vida de todos.

Encerro pedindo para que as pessoas dêem também importância para as eleições dos demais cargos, como deputados e senadores. A presidência é mais fácil de fiscalizar pois temos poucos candidatos e apenas um no cargo. São nos corredores do Congresso Nacional onde a corrupção se alastra.