Poucas pessoas tem a capacidade e inteligência em sintetizar um complexo raciocínio, em um texto claro e objetivo. Sem delongas, apresenta uma visão crítica de alguém que analisa o mundo sem hipocrisia, preconceito e falso moralismo. Tomo a liberdade de publicar e divulgar essa obra prima, uma verdadeira contribuição para o surgimento de uma sociedade mais crítica e coerente.
Nessas eleições para presidente da República ganhou espaço o discurso religioso em detrimento do político. Lamento profundamente por isso, mas não quero aqui argumentar em defesa de um candidato ou de outro.
Para início de conversa não há sentido nenhum em usar argumentos religiosos para angariar votos para qualquer candidato, uma vez que nenhum deles representa legitimamente uma tendência religiosa. Nem mesmo Marina Silva, conhecida evangélica, representa o eleitorado fiel.
Lamentavelmente, um número considerável de igrejas evangélicas e setores da Igreja Católica resolveram inserir-se na militância política como se tratasse este Estado democrático de direito de uma teocracia.
Como outras muitas vezes na história da humanidade o hipócrita discurso religioso não atenta para a dignidade do ser humano, ora faminto, ora sem-terra, sem-teto, analfabeto.
Em vez disso, ele insiste em lançar mão da homofobia que lhe é típica e de uma suspeita defesa da vida contra a regulamentação do aborto. E o faz como se a opção pelo candidato de oposição (que apoia a união civil homossexual) pudesse impedir que tais regulamentações fossem aprovados pelo Congresso Nacional.
Parece-me cada vez mais claro a inutilidade da religião e da religiosidade para o ser humano. Quanto mais me interesso em observar os passos dos líderes religiosos, mais me convenço de que a religião só torna o mundo mais divido, na medida em que o que se conhece como religião é essencialmente egoísta e excludente.
Até há um certo tempo atrás, optei por uma postura de respeito ao indivíduo em manifestar e cultivar sua crença, mas hoje, me aproximo de um estágio em que o respeito dá lugar à tolerância, obrigado por força de lei. Desde que comecei a assumir o ateísmo como a única possibilidade racional de interpretar os fatos e fenômenos, nunca estive tão convencido de que a religião não só aliena o indivíduo e a coletividade, como também é altamente danosa para a sociedade.
É constatável que sociedades com elevadíssima qualidade de vida já estão abandonando esse atraso social. Parece claro que quanto maior a escolaridade e menos dependente de assistencialismo do Estado é a sociedade, menor é o número de habitantes que se dizem religiosos.
Que benefício pode ser constatável em termos estatísticos em ser religioso? A escolaridade, essa sim é, de longe, o fator que mais diretamente influencia na qualidade de vida do indivíduo.
Estudos científicos apontam uma sensível superioridade de tratamentos médicos bem sucedidos em religiosos, se comparados àqueles que não professam religião. Os mesmos estudos apontam que a fé, a esperança, a expectativa, o pensamento positivo, a auto-sugestão ou como quiser chamar, eleva a liberação de determinadas substâncias que aumentam as defesas do organismo. Assim, a simples fé na eficácia do tratamento é suficiente para substituir a crença em um ser supremo capaz de curar.
É cada vez mais evidente que o desenvolvimento técnico-científico é inúmeras vezes mais útil que a religião. É evidente que as melhorias das condições médico-sanitárias elevam a expectativa de vida e diminuem a mortalidade infantil, algo que a predominância católica europeia em milhares de anos e as igrejas evangélicas, nas comunidades de baixa renda, onde crescem em ritmo vertiginoso não conseguiram.
Defensores desse grande mal inerente ao ser humano insistem em defender que sua suposta divindade é capaz de evitar da morte diante de acidentes ou catástrofes, como se uma prece fosse mais eficaz que um capacete, um cinto de segurança ou a simples manutenção de equipamentos destinados a esse fim.
Para ser bem sincero, pelo menos dois ensinamentos eu recebi nos meus tempos de católico: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” e “O pior cego é aquele que não deseja ver”. Muitos outros ensinamentos o Evangelho cristão pode oferecer, mas essas duas mensagens me parecem muito produtivas e, evidentemente apontam à descrença absoluta. A ciência tem comprovado com evidências que nem a Bíblia, nem o Corão, nem a Torá ou nenhum outro livro sagrado detém a verdade, pois a verdade ainda está a ser descoberta, aos poucos e com experimentação e comprovação. Quem não quer ver é gente da pior espécie.