Há pouco conferi o último artigo do Blog do Sakamoto onde ele analisa as ideias por detrás de frases já prontas, quase clichês. No instante em que lia não pude deixar de lembrar de uma frase que também é repetida incessantemente pelas pessoas, que na verdade não sabem bem o que estão dizendo. Em tempos de “aquecimento global” quem por aí nunca teve a oportunidade de ouvir alguém dizendo: “Meu Deus, mas esse ano o verão está quente demais…Nos anos anteriores não esquentou tanto”, ou mesmo “Ah rapaz, isso é por causa do aquecimento global…”, e por aí a conversa segue seu rumo. Na verdade, há dois erros básicos nessa percepção:
Primeiro, dificilmente as pessoas carregam consigo uma verdadeira sensação de como foi a mesma estação no ano anterior. É evidente que o verão desse ano provoque uma sensação de mais calor, porque o calor do passado nunca é tão ruim quanto o atual, que você sente na pele nesse exato momento.
Segundo, mesmo que realmente haja diferenças entre os verões, não se pode creditar os efeitos apenas ao aquecimento global. Caso contrário já poderíamos contar com um verão de 60º graus em 2030, pois as pessoas sempre tendem a afirmar que a cada ano fica mais quente. A análise das médias térmicas e pluviométricas de uma estação, só podem ser feitas através de um estudo constante ao longo de várias décadas, para se ter a real noção das variações de cada ano. No final, constata-se que as estações também passam por ciclos e é natural que em um ano, o verão chegue mais forte do que em outros. Fenômenos como o El Niño e La Niña, que periodicamente alteram as características climáticas, estão aí justamente para comprovar o que afirmo.
É claro que esses erros de percepção não provocam danos relevantes. Mas é legal podermos compartilhar raciocínios e aprender um pouco mais sobre essas complexas condições da atmosfera.