terça-feira, 12 de julho de 2011

Álcool e direção: o mesmo de sempre

A polêmica levantada pelo ex-jogador Romário, que diga-se de passagem deveria ter continuado no futebol, trouxe à tona um assunto que volta e meia aparece nos noticiários. No Brasil, a combinação álcool e direção leva à morte um número considerável de pessoas. Se fosse em outro país, medidas para coibir essa combinação seriam mais efetivas. No entanto, fica evidente que no Brasil as leis não deixam o campo da teoria.

Quais fatores justificam o fato de termos uma legislação tão eficiente no papel, mas ainda sim continuarmos a perder tanta gente no trânsito, em virtude do álcool? Ao meu ver uma pergunta retórica. Em nossas leis encontramos brechas que, estrategicamente ou não, facilitam a vida do transgressor. Acho válido, mas não menos hipócrita, o argumento de que o indivíduo não é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Tal afirmação parece ser pertinente quando o bêbado ao volante é o nosso filho, algum parente ou mesmo um amigo. Mas, se analisarmos por outro ângulo, o que acharíamos se esse bêbado ao volante, que se recusa a usar o bafômetro, matasse alguma pessoa do nosso círculo social? Garanto, seriamos os primeiros a sair nas ruas com faixas, camisas e bonés ...

Em um contexto geral a lei seca é uma piada. Quem aí não duvidava que o aumento da fiscalização e das penas não triplicariam o suborno? Passa-se a ideia de que as leis são criadas no intuito de acalmar os ânimos da população, para posteriormente tudo continuar como estava. É nítido que em nosso país nada muda ou melhora, porque não existe o interesse para isso.