terça-feira, 29 de novembro de 2011

Normas de segurança na exploração offshore de petróleo ainda são deficientes


Uma síntese do complexo jogo de interesses em torno da exploração do petróleo, da proteção ambiental e da participação da sociedade. Importante para todo brasileiro.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Os motivos da minha militância

Aprendemos desde pequenos a não abordar temas polêmicos, geralmente envolvendo política, futebol e religião. Alguns tabus nos são impostos como verdades absolutas e direitos como a crítica, a reflexão e a formação de opinião nos são podadas.

Felizmente, tive a oportunidade de crescer em uma família que favorecia a busca por conhecimento, e o “filtro” a qualquer tipo de informação que recebêssemos. Mesmo sendo de tradição católica, aprendi a ser crítico vendo alguns dos questionamentos que minha mãe fazia acerca da religião. Realmente eram passíveis de reflexão. Somando a adolescência (fase de questionamentos) e alguns anos posteriores de estudos científicos, tudo estava concluído. O contentamento com respostas rasas e sem sentido se esvaiu, dando lugar ao raciocínio crítico e racional.

Nessa temática, torna-se visível que assuntos ligados à crenças e à fé são totalmente questionados por esse indivíduo que vos escreve. Esse artigo tem o intuito de tentar responder um questionamento que percebo ser latente, naqueles que criticam a minha militância ateísta.
Por que você se preocupa tanto com a religião?
A partir desse questionamento surgem diversos joguinhos de palavras que em muitos casos só tem a tentativa de me fazer de idiota, mas que só comprovam que a ignorância não parte de mim. “Você fala mais em deus do que os próprios religiosos”, “na hora do aperto você vai precisar de deus”, “você ainda é jovem e não conhece nada da vida”, “O homem precisa de uma religião, pois é ela que mostra o caminho certo” … Talvez não haja resposta simples para esse questionamento, mas tentarei fazê-la da maneira mais clara possível.

Como humanista, cético e racional penso que todas as pessoas tem o direito de ir e vir, desde que através de seus atos não venham a prejudicar um terceiro. Partindo desse conceito abriria margem para mais um questionamento: “Então, uma pessoa tem o direito de ter o seu deus e sua religião, certo?” Sim, é evidente. Como nasce, então, a minha crítica? Minha crítica vem da necessidade de mostrar a essência da ideia citada acima (todos tem o direito de ir e vir, fazer o que quiser da vida, desde que não prejudique alguém. Isso está previsto na Constituição, diga-se de passagem). Logo, sendo religioso, ateu, heterossexual, homossexual, branco, negro, de esquerda ou de direita, todos são livres para pensar e fazer o que quiserem. Paramos por aqui.

Mas na prática não funciona assim. É justamente na religião que encontramos, baseado em seus dogmas, uma série de preconceitos e visões distorcidas sobre aqueles que são apenas diferentes. Não tenho nada contra o religioso que queira seguir o seu deus, desde que ele o faça para si próprio. Mas, quando estes começam a usar seus dogmas para definir questões de interesse coletivo, o problema torna-se de todos.
Assuntos ligados à sexualidade, drogas, aborto e afins, são constantemente debatidos sob a influência desses dogmas. O pensamento racional, a lógica e os estudos científicos são deixados de lado em detrimento de uma série de conceitos retrógrados e preconceituosos.

Sou a favor da liberdade sexual (com prevenção e responsabilidade). Sou a favor do direito da mulher em casos de aborto (esse tema também abre margem, pois segundo alguns prejudicaria um terceiro, no caso, o bebê. Que na verdade não poderia ser chamado dessa forma. Prometo voltar ao assunto). Defendo a união estável entre homossexuais. Defendo a legalização das drogas. Enfim, defendo porque mesmo que não usufrua dessas modalidades, digamos assim, é direito de qualquer cidadão que pague seus impostos e viva honestamente. Inclusive, penso que deveríamos nos importar um pouco mais com a ética e a honestidade que andam bem em falta. Tem muito heterossexual, católico, contra aborto e drogas, que adora fazer um “gato” de televisão e subornar policiais em blitz. Lembrando que isso não é exclusividade de católicos.

O dia em que os religiosos aprenderem que o que eles acreditam é somente para eles e notarem que religião não se joga goela abaixo das pessoas, talvez eu comece a largar um pouco “do pé” desses indivíduos. Isso sem falar no fato de que muitos religiosos adoram inverter a situação, se colocando como coitados que querem apenas orar. Taxando aqueles que os criticam como crueis, revoltados com o mundo.

Espero que depois desse texto algumas pessoas entendam o motivo da minha militância. Sei que boa parte delas permanecerá sob a sombra da ignorância, mas estou convicto de que com esses não adianta o apelo para discussão racional. A tolerância é o melhor caminho e precisa ser exercitada sempre.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

#BeloMonte #GotaDagua

Creditamos importância a temas banais e ignoramos os verdadeiros questionamentos a serem feitos a nível de Brasil. Isso não parece ser novidade, mas pior do que o desconhecimento por parte de um grupo é a manutenção da ignorância e da despreocupação, depois de já ter noção do que ocorre a nossa volta. Essa é a realidade do brasileiro. Tudo é festa, tudo é alegria. Se o próprio mundo corre as mil maravilhas, porque se importar com um problema que, aparentemente, está lá longe. 

Nessa temática, a questão da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte ganha importância central. Há muito o que se discutir, mas a maioria parece querer não se preocupar. As lutas do UFC e os jogos do brasileirão são mais importantes. Comento sempre com os meus alunos que a vida também é feita de prazeres e, por isso, não devemos jamais abandonar o que gostamos de fazer. O problema é que o brasileiro só gosta de prazeres momentâneos, e não aprende a se dar conta de que o que fazemos de relevante hoje será colhido no amanhã.

Acabo de ver no Bule Voador, dois vídeos fantásticos que nos dão a noção da realidade em torno dessa mega construção. Não deixe de conferir pois, afinal de contas, é futuro dos nossos filhos que está em jogo.