Algumas coisas curiosas, pequenos detalhes, ocorrem no dia-a-dia em sala de aula e podem nos mostrar algumas características de muitos pais da atualidade. Após solicitar inúmeras vezes para que a aluna guardasse seu celular, uma vez que estava em um momento de execução de tarefas, tive de tomar uma medida que a cada ano se torna menos frequente em minhas práticas. Resolvi retirar a aluna de sala, mediante ocorrência e confisco do aparelho. A essa altura a aluna resolve soltar uma frase que considero no mínimo curiosa: “Minha mãe disse que não assina mais nenhuma ocorrência”.
Considero uma atitude bastante coerente do responsável em questão. Coerente com a provável educação omissa a que essa criança esteve submetida. Não mais assinar as ocorrências demonstra que a mãe prefere se abdicar de sua função. Já não se preocupa com a atitude da filha e prefere ignorar esse fato. Como se essa simples omissão resolvesse seus problemas. Dá até para imaginar a mãe dizendo “Já tenho problemas demais…”
Ainda é preciso salientar que tudo que envolve os filhos são de inteira responsabilidade dos pais? Ainda é necessário lembrar aos responsáveis que uma vez menores de idade, são eles que respondem legalmente? Até quando teremos de lembrar que a escola não pode assumir isoladamente a função da formação cidadã?
Concordo que as escolas precisam melhorar. Ainda estão muito aquém do ideal. Mas não é justo aceitar que (ir)responsáveis abram mão de suas atribuições deixando tudo a cargo do Estado. Se queremos uma educação de qualidade é preciso fiscalizar ambos os lados. Como disse, escolas e responsáveis tem o papel conjunto na formação cidadã de um indivíduo.
