quinta-feira, 29 de março de 2012
Um pouco de reflexão ...
quarta-feira, 28 de março de 2012
Vídeo da NASA mostra o movimento dos oceanos
sexta-feira, 23 de março de 2012
O apelo ao valor cultural
Há cerca de 2 meses deparei-me com postagens em defesa da manutenção de símbolos religiosos cristãos (católicos), em instituições públicas. Os autores diziam-se contrário a medida uma vez que a base da formação cultural de nossa sociedade reside no cristianismo, e por isso o símbolo é mais cultural do que propriamente religioso.
Confesso que o argumento não é lá dos piores. Nossos colonizadores, os portugueses, trouxeram consigo a igreja. Essa por sua vez, na ânsia pela ampliação do seu campo de influência, tratou de agir massacrando catequisando todos aqueles que aparecessem a sua frente. Portugal, antes disso, oriundo em tempos remotos da dissolução do Império Romano herdou a corrente religiosa, que antes fora estrategicamente instituída por Constantino, Imperador naquele momento.
De fato, há um valor histórico tremendo nesses eventos. Não devem ser esquecidos, mas ensinados com imparcialidade e metodologia. Mas, seria leviano, afirmar que apenas o cristianismo seja a base da nossa formação, uma vez que somos descendentes de indígenas, africanos e outros povos europeus, que por sua vez também trouxeram sua bagagem cultural.
O que fazer então? Expor todos os símbolos dos mais variados segmentos culturais, ou fazer valer o que reza a constituição, adotando a total separação entre estado e religião? O Estado laico não vai contra as correntes religiosas, mas adota imparcialidade diante do tema. A retirada de tais símbolos tem um valor muito importante para todos. Efetiva a ideia de que naquele espaço quem manda é a constituição federal. É o ambiente perfeito para existência da diversidade étnica, cultural, religiosa e de gênero. Por isso, aqueles que representam o povo, através do estado, precisam legislar para a pluralidade da sociedade, sem levar em consideração qualquer tipo de “moralidade” religiosa ou dogma.
As igrejas católicas, os templos protestantes e os terreiros de umbanda, além de outros vários, continuarão a existir. O indivíduo continuará tendo a opção de escolher no que acreditar ou até mesmo em não acreditar em qualquer tipo de sobrenaturalidade, como no meu caso. Ao final, é preciso ter em mente que a democracia não pode ser entendida como a ditadura de uma suposta maioria. O princípio do respeito a diversidade deve ser o carro chefe de uma nação saudável.
terça-feira, 20 de março de 2012
Quando a realidade nos assusta
A cada dia que passa tem se tornado mais consistente o pensamento de que as crenças religiosas, funcionam como defesa diante do desconhecido. Ser um ser vivo complexo nos dá a possibilidade de fazer perguntas sobre o que nos cerca, e a falta de respostas para alguns dos questionamentos pode provocar consequências diversas.
Para a ciência, são justamente essas perguntas que mobilizam o desenvolvimento científico. Para a população em geral, a falta de respostas produz uma intensa sensação de vazio. E é a partir desse vazio que o campo para as especulações está armado. Do politeísmo às três vertentes do monoteísmo (judaísmo, islamismo e cristianismo), sem nos esquecermos das filosofias orientais, são inúmeras as facetas que o mundo sobrenatural pode vir a assumir.
Perder ou imaginar a perda de um ente querido pode nos mostrar elementos interessantes do comportamento humano. Nessas horas, os questionamentos sobre a existência vêm à tona e a função cultural das crenças religiosas assumem seu papel. Pode ser difícil enfrentar um momento delicado sem o afago de estórias que nos prometem eternidade e reencontro.
Mas, se o objetivo é pensar e agir racionalmente, nada mais coerente do que constatar que não há qualquer tipo de evidência para essas estórias. A morte, criticamente falando, é o mesmo estado a que estávamos submetidos antes do nascimento e nada mais. Até mesmo os mais crédulos são acometidos por essa racionalidade. E isso justifica o alto índice de desespero em momentos como esse.
Confesso, é realmente tortuoso o caminho da racionalidade. Mas se antes esse ceticismo havia me deixado aparentemente órfão, atualmente tem sido a base fundamental para o meu dia-a-dia. A única certeza que tenho é a de que mais cedo ou mais tarde não estarei com meus entes queridos. E isso só mostra que tenho que viver a vida intensamente. Preciso amar mais, compreender mais e apreciar mais os pequenos detalhes do cotidiano. No final, é no mínimo curioso constatar que tudo aquilo que foi importante pra gente, não terá qualquer significado para as pessoas que estiverem vivas daqui há 100 ou 200 anos.